::03/07/2008

Uma tonelada no pé

Pênalti é tão importante que deveria ser cobrado pelo presidente do clube, já dizia o filósofo do futebolês, Neném Prancha. E não é que os jogadores do Fluminense provaram que o bordão tem um fundo de verdade.
Carregando a ansiedade de 90 mil tricolores nas arquibancadas e o cansaço de 120 minutos de luta, três dos quatro cobradores praticamente empurraram a bola até as mãos do goleiro Cevallos, da LDU. O resultado todos sabem, título nas mãos dos equatorianos.
Que a responsabilidade é grande não se discute, mas o pé dos tricolores pesou uma tonelada, pelo menos. Conca, Thiago Neves e, principalmente, Washington quase que nem conseguem fazer a bola chegar ao gol na hora do chute. Cevallos, experiente e em fim de carreira, se consagrou e calou a boca dos que o colocavam como a válvula que poderia vazar em favor do Flu. Pegou os três pênaltis e, de quebra, fez duas defesas milagrosas com bola rolando.
Está certo que o fraco árbitro argentino Héctor Baldassi fez das suas, principalmente no primeiro tempo, quando não marcou um pênalti em Washington, permitiu jogadas violentas dos equatorianos e, com a ajuda do bandeira, anulou um ataque do Fluminense ao marcar impedimento inexistente de Cícero, mas a grande verdade é que o Fluminense parou no terceiro gol e escapou de sofrer o segundo gol em diversas oportunidades.
Resta o consolo de ter mostrado uma grande campanha durante a competição. Só que, terminada a Libertadores, além de ter ficado sem o título, o Flu irá precisar reunir todas as forças para empreender uma arrancada no Brasileiro, onde fecha a classificação, iluminando o caminho dos demais com a lanterna.

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::01/07/2008

A temida janela do meio do ano

A tão temida janela de meio de ano já está se abrindo. Os principais destaques dos clubes brasileiros são os alvos prediletos dos clubes europeus, que buscam reforços para o início da temporada de lá.
A tal janela é temida porque desfalca e até desmonta elencos que foram formados para o Brasileiro. Os clubes europeus sabem que aqui podem encontrar o que querem e por um preço camarada.
Comprar no mercado brasileiro sempre foi uma festa para os europeus. Aqui eles compram craques consagrados, talentos emergentes e até promessas por um preço imperdível.
Até parece propaganda de loja de saldos, mas não é. O futebol brasileiro sempre foi pródigo em revelar e entregar de bandeja para os clubes da Europa. Alguém se lembra quanto o Milan pagou por Kaká? Eu refresco a memória de quem já esqueceu: US$ 8 milhões. Isso mesmo, oito milhões de dólares ou, no câmbio atual, pouco mais de R$ 13 milhões. Dá pra acreditar?
Essa é a realidade do futebol brasileiro e não há como escapar dela. Os clubes, sempre enforcados ou nas mãos de empresários, que colocam elencos completos em determinados times, que são usados como vitrines, aceitam qualquer pacote, desde que recebam algum no final das contas.
Henrique, que chegou no início do ano ao Palmeiras, trazido pela Traffic, parceira do clube, está indo para o Barcelona. Ao Palmeiras vai sobrar cerca de US$ 2 milhões, ou R$ 3,3 milhões. Ainda bem para o clube que a parceira colocou um novo zagueiro no elenco, senão com o mesmo talento, pelo menos com qualidade para entrar e ficar.
Hernandes, do São Paulo, também deve ir embora. Assim como já foram outros talentos emergentes em outras temporadas, como é o caso do zagueiro Breno, do mesmo São Paulo, negociado com o Bayern de Munique, da Alemanha, com apenas 17 anos, só pra citar um exemplo.
Enquanto uns vão, outros voltam. Cafu, Serginho e Mineiro já estão no mercado, prontos para assinar um contrato. Cafu e Serginho ja passaram dos 35 faz tempo. Mineiro, ainda titular da seleção, ficou no Herta Berlim, da Alemanha, por uma temporada ou duas e já está de volta. Quem se arrisca?

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::25/06/2008

De herói a vilão

Vida de goleiro não é fácil. Já dizia uma máxima popular, antiga por sinal, que lugar onde goleiro pisa nem grama nasce.
O goleiro Felipe, do Corinthians, está sentindo na pele o que é a vida de goleiro. De herói em diversos jogos, inclusive na classificação para a final da Copa do Brasil, quando pegou pênalti e garantiu o Corinthians naquela semifinal contra o Botafogo, o goleiro vive seu calvário agora, depois de, supostamente, falhar nos dois gols do Sport na Ilha do Retiro.
O técnico Mano Menezes, com o intuito de preservar o atleta, acabou contribuindo ainda mais para sua desgraça. Ao tirá-lo do time, aumentou a onda de pressão que a torcida faz contra o goleiro.
A torcida segue pegando no pé do goleiro e deverá continuar assim até que Júlio César, o novo titular, falhe. Aí será a vez dele sofrer.

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::23/06/2008

A evolução tricolor

São Paulo é sempre São Paulo. Não há como contestar que o Tricolor paulista é sempre candidato ao título, seja qual for a competição. Apesar de ter começado mal o Brasileiro, já iniciou a recuperação e figura entre os candidatos ao título ou, na pior das hipóteses, às vagas na Libertadores.
Foram três vitórias nos últimos três jogos. Uma goleada incontestável sobre o Galo mineiro por 5 a 1; outra por 4 a 2, em pleno Maracanã, sobre o líder Flamengo, e uma vitória mais modesta, mas que mostra a recuperação do time, por 1 a 0 sobre o Sport, conquistada no último minuto do jogo.
Flamengo, Cruzeiro, Grêmio, Palmeiras e São Paulo ja aparecem nas primeiras colocações. A surpresa, boa por sinal, é o Náutico, que figura na quarta posição, portanto, na zona de Libertadores. Se vai se aguentar ali por muito tempo ninguém sabe, mas que vem mostrando futebol para tanto não dúvida.
Lá embaixo, na rabeira, o Fluminense aguarda passar a decisão da Libertadores, nesta e na próxima quarta, para iniciar a recuperação. E é bom que comece logo pois, se conquistar a América, Renato Gaúcho já disse que quer ir ao Japão com um mês de antecipação e aí, com o Brasileiro ainda por terminar, o Flu terá que deixar por aqui uma equipe pra lá de reserva e com muita gordura de pontos pra queimar, caso não queira voltar com o título mundial e a vaga garantida na Série B de 2009.
O Santos, que apanhou de quatro do Goiás, que não ganhava de ninguém, em plena Vila, que se cuide. Ainda há tempo, mas a diretoria precisa correr atrás de reforços o quanto antes.
O Brasileirão ainda está no começo, mas já começa a delinear o que deverá vir por aí. Quem tem jogador despontando que se cuide, pois a janela européia está por abrir e irão chover propostas e euros para aqueles que estão na vitrine.

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::19/06/2008

De mal a pior

Um ponto apenas em seis disputados, nenhum gol marcado nos últimos três jogos, seis gols sofridos e três marcados nas últimas quatro partidas. E o que é pior, um futebol sofrível, sem imaginação, sem criatividade e sem perspectiva de melhora. Esse é o quadro atual da seleção brasileira, do técnico Dunga.

O empate diante da Argentina, que perdeu duas chances nos minutos finais, pode ser comemorado como vitória, apesar de ter sido alcançado em pleno Mineirão. Tirando Júlio Baptista, o melhor brasileiro em campo; Adriano, que lutou muito no ataque e na defesa; o goleiro Júlio César, que evitou a derrota no final, e Juan, que foi o de sempre, o resto não mostrou nada que pudesse ser aproveitado. Muito pouco para uma seleção tida como uma das melhores do mundo.

O técnico Dunga, que mostra a mesma teimosia de outros treinadores que já passaram pela seleção, deveria olhar um pouco mais para o lado de lá do Atlântico, acompanhar mais a evolução tática do futebol na Europa e aplicar o que aprender na seleção. Afinal, é lá que joga a maioria dos selecionáveis. Ou não?

O que me anima é que o panorama está muito parecido com o de outras Eliminatórias, como a que classificou o Brasil para o Mundial de 2002 na Ásia. Naquela oportunidade o time ia de mal a pior com Luxemburgo, não evoluiu com Leão e Candinho e só garantiu a vaga com muita luta e o pulso firme de Felipão. E deu no que deu.

Na seguinte, para a Copa da Alemanha, o time de Parreira jogava sozinho, sem precisar do dedo do técnico e se classificou com um pé nas costas. Depois, bem, depois foi aquilo que se viu em gramados alemães.

Voltando ao pífio desempenho da seleção nos quatro jogos – dois amistosos e dois oficiais -, não dá mais para agüentar certos jogadores. Maicon só tem uma jogada quando vai ao ataque. Corre muito, depois pára e corta para dentro. Gilberto Silva, reserva no Arsenal, já não é o mesmo de seis anos atrás e não tem ritmo para guardar a defesa, além de ser péssimo no passe. Gilberto, pela esquerda, é limitado quando vai ao ataque e ainda sofre com as bolas nas costas. Sem falar de Diego, que nunca é na seleção o que foi no Santos ou é no Werder Bremen, e em Robinho, que reconheceu no final do jogo que vem jogando mal e precisa melhorar.

A hora de mudar é agora. A próxima partida nas Eliminatórias acontece somente em setembro, contra o Chile, fora de casa. Um novo treinador teria tempo para reparar os danos e mudar o clima. No meio do caminho tem os Jogos Olímpicos em Pequim, mas como a CBF não dá muita importância para o ouro olímpico e prefere os dólares e euros dos amistosos, qualquer um que vá para Pequim com a seleção fará o mesmo papel.

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::12/06/2008

O Antijogo Corintiano

O técnico Mano Menezes pode reclamar, espernear ou arrancar as calças pela cabeça, mas a grande verdade é que o Corinthians foi para a decisão da Copa do Brasil na Ilha do Retiro com o intuito de não deixar o Sport jogar.

A tática adotada não deu o resultado esperado e, já no primeiro tempo, o rubronegro pernambucano vencia por 2 a 0, fazendo o placar que precisava para apagar a vantagem que o Timão havia livrado no jogo de ida.

E dizer que o árbitro Alício Pena Júnior prejudicou o time paulista é pura balela de perdedor. Pênalti por pênalti, o lance de Fabinho em Enílton foi muito mais contundente do que a entrada do goleiro Magrão em Acosta. Principalmente porque, depois de derrubar o adversário, deu um chute em suas costas, sem bola

O Sport vai á Libertadores de 2009 e o Corinthians terá que esperar para, primeiro, voltar à Série a do Brasileiro e aí sim lutar por uma vaga na competição sul-americana.

O fato concreto é que o Corinthians não conseguiu parar Carlinhos Bala. Nem na bola, nem na porrada. Bala foi o grande nome do jogo e ainda tirou dois corintianos da partida. Wellington Saci e William foram expulsos por entradas desleais no meia que usa um cabelo que mais parece com um vaso de xaxim.

FABINHO, O SUJO
- Nunca foi fã do futebol do volante Fabinho, do Corinthians. Nem na primeira passagem pelo clube e muito menos agora, mais experiente depois de uma passagem pelo futebol francês.

Muitos jogadores são viris, às vezes até desleais, mas Fabinho ganha de todos no quesito mais execrável do esporte: é sujo e agride os adversários, principalmente quando seu time está em desvantagem.

Foi assim na decisão, e por duas vezes. No lance em que derrubou Enílton na área, primeiro fez o pênalti em lance normal de jogo, mas depois, com o adversário caído, deu um bico em suas costas.

Depois, em lance isolado na ponta-direita do ataque do Sport, desferiu um soco, sem bola, no mesmo Enílton, e contou com a complacência do auxiliar, que estava a um metro do lance.

Se jogar mais e der pontapé e outros golpes de menos, Fabinho poderá muito mais útil ao Corinthians do que vem sendo com seu modo sujo de jogar.

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::11/06/2008

Pagando a dívida com juros

Está chegando a hora da redenção corintiana. Depois de sofrer com a queda para a Série B do Brasileiro, em dezembro, o Timão pode sacramentar a chamada volta por cima esta noite.

A vantagem conquistada na partida de ida, no M orumbi, dá ao Timão a possibilidade de ser tricampeão da Copa do Brasil mesmo perdendo por um gol de diferença. Ao Sport cabe a tarefa de fazer 2 a 0, ou vencer por três gols de diferença, caso o Corinthians faça um gol na Ilhas do Retiro.

Até aí escrevi o que todo mundo tá careca de saber. Mas, o mais importante é a auto-afirmação que o atual elenco precisa. E o título, sem dúvida, dará essa condição. Se conquistar o título e a vaga na Libertadores, o Corinthians terá pago, com juros, a dívida que tem com sua torcida desde dezembro passado.

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::10/06/2008

Cadê o futebol de campeão do Palmeiras?

O Palmeiras não é nem sombra do time que foi campeão paulista. Nos cinco jogos que fez pelo Brasileiro, nem mesmo nas vitórias sobre Inter e Atlético Paranaense mostrou futebol suficiente para empolgar sua torcida.

Contra o time reserva do Sport o Verdão foi ainda mais ridículo. Jogou bolinha de gude e não deu um chute sequer ao gol do goleiro Cléber.

Falando no jogo da Ilha do Retiro, palco da decisão da Copa do Brasil, nesta quarta, entre Sport e Corinthians, o estado do gramado está péssimo. Quem comparou com o gramado onde estava sendo disputado o jogo entre Alemanha e Polônia, pela Euro 2008, pôde constatar a diferença.

Voltando a falar no Palmeiras, pelo visto o Verdão virou freguês, como se dizia antigamente, do Leão da Ilha. Nos últimos cinco jogos - dois pelo Brasileiro do ano passado, dois pela Copa do Brasil e um pelo Brasileiro deste ano - foram quatro vitórias do Sport e um empate.

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::05/06/2008

Vantagem, mas nem tanto

O Corinthians abriu vantagem na decisão da Copa do Brasil. Abriu, mas nem tanto. O gol de Enílton, no finalzinho do jogo, deu sobrevida ao Sport, que precisa vencer por 2 a 0 para ser campeão.
Claro que a vantagem do Timão é um passo importante, mas se tivesse conseguido segurar a pressão do Leão da Ilha as coisas estariam melhor agora. Afinal, todos sabem a dureza que é enfrentar o Sport na Ilha do Retiro. Que o digam Palmeiras, Inter e Vasco, derrotados lá e eliminados pelo time pernambucano.
AVALANCHE - O Corinthians utilizou, contra o Sport, a mesma tática que vem adotando nos jogos em casa pela Copa do Brasil. Desde o confronto com o Goiás, quando entrou com uma desvantagem de 3 a 1, vem sendo assim e vem dando certo.
No Morumbi, quarta à noite, não foi diferente. Em 20 minutos já estava 2 a 0 com o Sport tonto em campo. Apesar de ter feito o terceiro no segundo tempo, o time paulista sofreu muita pressão na segunda metade do jogo e o Sport mereceu o golzinho no final.
Agora, é esperar pela quarta-feira e, quem sabe, a redenção corintiana chegue mais cedo que sua própria torcida esperava. Rebaixado em dezembro para a Série B do Brasileiro, quando era treinado por Nelsinho Baptista, hoje treinador do Sport, em jogo diante do Grêmio, então treinado por Mano Menezes, hoje no Timão, um título com direito a vaga na Libertadores é tudo o que uma torcida espera.

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::04/06/2008

Cinco minutos de fama

Redigir um artigo no calor dos acontecimentos é sempre muito arriscado. Por isso, aguardei a poeira baixar para colocar meu dedo na ferida aberta no domingo, durante o jogo Náutico 3 x 0 Botafogo.
Pelo que vi, exaustivamente, tudo começou com um erro do árbitro paulista Wilson Seneme. No meu simples modo de ver, André Luís não cometeu a falta que gerou a aplicação do segundo amarelo por parte do árbitro e a conseqüente expulsão do zagueiro botafoguense.
Daí em diante a lambança teve vários motivos e inúmeros culpados. Primeiro, André Luís não poderia ficar no banco de reservas após ser expulso. É lei e deve ser aplicada. O quarto árbitro deveria ter aplicado a lei, mas pelo visto não agiu dessa forma.
A seqüência é conhecida de todos. Irritado, o atleta fez gestos obscenos para a torcida adversária ao ser insultado pela mesma e até teria chutado uma garrafa d’água, que teria atingido um torcedor. Pelo que fez, André Luís deve e será punido, pela Justiça Desportiva, claro. Nunca pela polícia pernambucana.
Xingar, ofender, insultar ou seja lá o que for nesse gênero, é comum em estádios de futebol. Já pensaram se a polícia inventasse de prender uma torcida inteira por xingar o árbitro?
A ação da polícia pernambucana foi totalmente desproporcionar a um evento esportivo. Excesso de força, truculência, abuso de autoridade e outros adjetivos são pequenos diante dos fatos.
A Tenente PM Lúcia Helena, que protagonizou a maioria das ações, alegou que o atleta havia feito gestos obscenos para a torcida e por isso seria preso. Depois, vendo a besteira que havia cometido, tentou justificar dizendo que o atleta havia agredido os policiais. Talvez tenha pensado ser aquela a chance de ganhar cinco minutos de fama.
Ora, as imagens não condizem com suas justificativas. Deu para ver, claramente, a truculência com que o atleta foi abordado, a tentativa de algemá-lo e imobilizá-lo.
Diante de tanta resistência aos atos que cometeu, a policial, em entrevista à apresentadora Ana Maria Braga, no Mais Você, da Globo, disse que teria se assustado quando o atleta levantou os braços e teria tentado dar-lhe uma chave de braço. Será? Será que sua força é suficiente para imobilizar um atleta daquele porte, alterado pelos fatos e assustado com o que estava ocorrendo ao seu redor?
Ou será que isso foi uma tentativa de justificar uma ação totalmente descabida? Ficou claro que sua atitude era de algemar o atleta do Botafogo.
Não sou dono da verdade ou qualquer coisa do gênero, mas acredito que, além da punição desportiva ao atleta, cabe punição também aos policiais envolvidos, principalmente a Tenente PM Lúcia Helena e os policiais que, pelas imagens, mostraram claramente um total despreparo para operações em eventos esportivos, principalmente aquele que, com uma arma ou coisa do gênero nas mãos, apontou para o meia Diguinho, num claro gesto de ameaça.
O Náutico e o Botafogo nada têm a ver com os fatos e não merecem sequer serem citados pelo STJD. Ao contrário do zagueiro do Botafogo, que deverá pegar um gancho exemplar. E, se analisar bem, a Comissão de Arbitragem da CBF deve até aplicar uma ‘geladeira’ no árbitro Wilson Seneme.

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::06/05/2008

Um homem respeitado e de visão

Meu primeiro contato com Wilson Fernandes de Barros foi em 91. A SEC TV, então MMTV, ainda engatinhava e fui escalado para comandar um programa esportivo, do tipo mesa-redonda, que tinha como convidado o presidente do Mogi Mirim.
Quando a gravação terminou, me vi em dificuldades para retornar a Itapira, pois precisava chegar á rodoviária antes do último ônibus deixar Mogi Mirim. Minha aflição aumentou quando um dos diretores da emissora disse que era para eu me virar.
Vendo o que se passava e inconformado com a atitude do tal diretor, Barros não pensou duas vezes e me disse para entrar em seu carro que me daria uma carona. Não pensei duas vezes e, quando ele saiu pela Chácara dos Ypês, em direção á SP-147, imaginei que tomaria o rumo da rodoviária, mas fui surpreendido ao ver que a direção tomada por ele nos levava a Itapira.
Nunca esqueci do que ele me disse naquela noite. “Isso não se faz com ninguém, muito menos com um funcionário”. Suas palavras ficaram por muito tempo na minha memória e daquele dia em diante passei a admirá-lo, não apenas por ser um dirigente bem sucedido, presidente de um clube de futebol e um empresário de sucesso, mas principalmente pelo ser humano que sempre foi.
Passei pelo menos 15 anos da minha carreira jornalística em Mogi Mirim e vi de perto ascensões e quedas do Mogi Mirim. Vi o clube cair para a 2ª divisão algumas vezes, mas também presenciei sua volta em diversas oportunidades, como em 93, quando o Carrossel Caipira colocou a cidade em destaque.
Wilson Barros sempre teve muita visão no esporte. Soube implantar um sistema sólido no clube, tornando o Mogi Mirim um dos únicos a sobreviver á crise pós Lei Pelé. Sobre essa lei, ouvi dele que era a morte da galinha dos ovos de ouro dos clubes do Interior, pois tirava dos mesmos aquela que era a maior fonte de renda: a venda de jogadores revelados nas categorias de base.
Wilson Fernandes de Barros já não está mais entre nós, mas seu exemplo como ser humano, pai de família, empresário e dirigente esportivo jamais será esquecido. Seu jeito brusco, mas carinhoso de tratar as pessoas ficará guardado por aqueles que o conheceram.

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::08/04/2008

Zona mista

Zona mista na gíria do futebol significa o local onde jogadores concedem entrevistas aos repórteres de emissoras de rádio e TV e também aos que representam os órgãos de imprensa escrita, principalmente nas partidas da seleção brasileira.

Zona mista, em Itapira, é o que se pode dizer do setor de cativas do estádio Chico Vieira. O local virou ponto de encontro de representantes de todos os setores, principalmente de postulantes a cargos eletivos.

Nos últimos jogos da Esportiva Itapirense tem sido comum o encontro de partidários deste ou daquele lado, todos convivendo no mesmo setor, se esbarrando e até trocando idéias.

É claro que ali é um local onde todos comungam do mesmo pensamento, ou seja, torcer pelo sucesso do time da cidade, que virou a menina dos olhos de quem gosta de futebol.

Freqüentar o estádio em dias de jogo é a maneira saudável de participar de algo que deu certo. De torcer pelo time da cidade, seja ele um ponto positivo deste ou daquele lado da política.

O ano é eleitoral e tudo mundo sabe disso. E nada melhor que freqüentar um local recheado de formadores de opinião. Principalmente para os que postulam um lugar na Câmara. É ou não é?

E é ali, nas cativas, ao redor do bar instalado embaixo do Centro de Imprensa do estádio, que vereadores, ex-vereadores, postulantes a um lugar no Legislativo, ou mesmo simpatizantes deste ou daquele lado político, se encontram a cada jogo.

Não importa o segmento político de cada um. O que vale é que naquele momento, durante os 90 minutos do jogo, todos pensam da mesma forma e torcem pelo sucesso da Vermelhinha, o time da cidade e do coração de cada um.

E tenho dito!

Até a próxima.

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::24/03/2008

Estilistas no futebol

Todo mundo já se acostumou com os ternos impecáveis de Vanderlei Luxemburgo. Exemplo de como se vestir bem, Luxa não se incomoda em tomar chuva ou se sujar, mesmo estando vestido como se fosse para uma festa de gala.

Mas, o papo aqui é outro. Não se trata dos ternos do atual treinador do Palmeiras, mas do uniforme de alguns clubes da Série A-1 do futebol paulista.

Quem desenhou o uniforme do Guarani, por exemplo, deve ter visto um treino do Bugre campineiro e se baseado nos coletes para desenhar a camisa oficial. Coisa de péssimo gosto. Um tom de verde escuro por baixo com um desenho, imitando um colete, verde mais claro, por cima, separados por uma lista branca.

A tradicional camisa verde do Guarani deixou de existir, ficou para a história. Assim como os dias de glória do clube, prestes a voltar à A-2, de onde saiu no ano passado.

A Portuguesa é outra que está no mesmo caminho. Seu uniforme, que já não é dos mais bonitos com aquelas faixas horizontais em verde e vermelho, também recebeu o mesmo tratamento, com a sobreposição de uma espécie de colete.

Esse pessoal, encarregado de desenhar uniformes de clubes de futebol, deveria olhar um pouco mais lá fora, nos grandes centros europeus, onde os clubes usam e abusam de estilos cada vez mais bonitos.

SABEDORIA PAI D’ÉGUA
“O Rio Claro esta perdendo para o Corinthians por 1 a 0 no Morumbi, e com essa derrota segue sozinho segurando a lanterna, junto com o Rio Preto”. De Luciano do Valle, na Band, durante a transmissão de Guarani x São Paulo. Fica a pergunta: sozinho ou junto?

“O Leão está bem protegido da chuva, ele está embaixo do banco de reservas”. De Milton Leite, da Sportv, durante Guaratinguetá x Santos, disputado sob forte chuva. Fica a pergunta; Leão entrou, literalmente, embaixo do banco?

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::28/02/2008

Estamos mal de futebol na TV aberta

Cheguei em casa na quarta-feira justamente no intervalo do jogo entre Atlético Nacional, da Colômbia, e São Paulo, pela Taça Libertadores, que a Globo estava mostrando. Com queria saber os resultados dos jogos da Libertadores e da Copa do Brasil, fiquei aguardando o final do bloco comercial para entrar o Show do Intervalo.

Mas, o que vi não foi o Show do Intervalo, mas um show de chatice, que juntou Galvão Bueno e aquela porcaria chamada Big Brother. Acredito que, como o tal BBB não está dando o Ibope esperado, a Globo esteja encaixando entradas do reality show no futebol, que certamente rende mais pontos na audiência.

Aí, quem sai prejudicado é o telespectador, que se vê obrigado a agüentar aquela chatice. Quem tem TV a cabo se livra rapidinho, mas quem não tem fica na dúvida: vê Galvão Bueno dando uma de Pedro Bial (outro que trata os BBBs como se fossem crianças em uma brincadeira e os telespectadores como idiotas) ou muda para a Band e engole Luciano do Valle e Neto. Isso quando não é o interminável Sílvio Luís que esteja narrando, ou melhor, despejando seu dicionário de impropérios e palavras impróprias para uma narração esportiva.

Passei para a Sportv, que estava mostrando o São Paulo, mas que não tinha sinal por estar no intervalo. Então, fui obrigado a optar pela Band, que pra minha sorte estava mostrando o Palmeiras na Copa do Brasil.

Sorte de poder ver meu time, mas azar por ter que agüentar as barbaridades do narrador e as opiniões do Einstein da TV brasileira, o ex-jogador Neto.

Luciano do Valle, como de costume, já começou o segundo tempo trocando nomes e abusando dos escorregões na Língua Portuguesa. Primeiro foi o meia Lenny, do Palmeiras, que, no linguajar do narrador, virou Lení. Depois foi o auxiliar Orlando Hortêncio, que acabou chamado de Hortência. E assim por diante.

É triste ver o futebol brasileiro entregue ao poder do dinheiro das emissoras de TV. No meu tempo de criança futebol de meio de semana começava às 20h30. Eu ouvia pela rádio Tupi, com narradores como Haroldo Fernandes e Alfredo Orlando. Ou pela Bandeirantes, com Fiori Gigliotti. Só depois é que veio o Osmar Santos, que era da Joven Pan e passou para a Globo.

Hoje, o horário passou a ser depois da novela das oito, que não começa as oito, mas às nove da noite. Ou seja, quem gosta de ver o futebol, mas precisa levantar cedo no dia seguinte, só vai dormir por volta de meia-noite. Pura falta de consideração com o telespectador, que é quem faz a audiência crescer ou diminuir.

Consegui ver o Palmeiras marcar os dois gols, mas confesso que dormi antes do jogo acabar. Afinal, quem levanta as seis da matina todos os dias não consegue ficar acordado até tão tarde assim.

Até a próxima!

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::12/02/2008

Futebol em país sério começa às oito da noite

É isso mesmo. Futebol em país sério respeita o torcedor e começa às oito da noite e não as quinze para as dez, depois da novela.

A Premier League, principal campeonato da Inglaterra, e um dos mais bem organizados e recheado de estrelas, dá exemplo de como se organiza uma competição, priorizando a lotação dos estádios e a comodidade dos torcedores.

Na segunda-feira, 11, vi pela ESPN Brasil a vitória do Arsenal sobre o Black Burn, por 2 a 0, em jogo disputado no Emirates Stadium, belíssimo estádio do Arsenal, líder da Premier com cinco pontos à frente do Manchester United.

Deu gosto de ver o estádio totalmente tomado pelos gunners (apelido do clube e de seus torcedores). Para se ter uma idéia, como capacidade para 60 mil pessoas, o Emirates tem registrado média de 99,2% de lotação a cada jogo do Arsenal. O Manchester United (99,1%) e o pequeno Reading (99,1%) também são exemplos dessa incrível média de público.

Será que é tão difícil assim organizar um campeonato de forma séria? Será que é tão difícil estabelecer horários mais humanos e condizentes com a vida dos torcedores? Será que ninguém sabe que no dia seguinte o pessoal pega o busão logo cedo para trabalhar?

São perguntas que, com certeza, não serão respondidas pelos dirigentes do futebol brasileiro. Ou por desconhecimento, ou por puro desinteresse.

E assim caminha o futebol brasileiro, pentacampeão mundial e sede do Mundial de 2014.

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::20/12/2007

Futebol feminino volta ao esquecimento

Quando encantou a todos e conquistou a medalha de ouro no Pan do Rio de Janeiro, o futebol feminino do Brasil recebeu o apoio da imprensa esportiva de forma geral, que clamou por mais apoio e reconhecimento ao trabalho das meninas.

Quando encantaram o mundo e só ficaram com o vice por pura falta de sorte no Mundial da China, Marta e companhia ganharam o apoio incondicional do presidente Lula, que através de um decreto, ordenou (essa é a palavra certa) a realização de campeonato nacionais da modalidade.

A CBF pegou carona na onda e anunciou uma Copa do Brasil de Futebol Feminino e o que se esperava era um mínimo de reconhecimento da entidade máxima do futebol brasileiro, que nada em dinheiro.

Pois bem, a tal Copa do Brasil aconteceu e quase ninguém ficou sabendo. O Saad/Bioleve, que um dia foi de Itapira, ficou com o título ao derrotar, nos pênaltis, o Botucatu.

Mas, e daí? Será que alguma coisa mudou ou vai mudar na vida das jogadoras e dos dirigentes? Claro que não. A CBF deu canseira nas jogadoras vice mundiais na hora de pagar o prêmio e nem mesmo as despesas dos clubes durante a competição nacional foram ressarcidas aos clubes.

O descaso continua e vai perdurar até que as meninas entrem em campo novamente em rede nacional e dêem novo show de competência. Aí, vão aparecer novos “pais” da criança, gente querendo pegar carona no sucesso delas e anunciando um pacote salvador.

O Saad/Bioleve, que um dia foi de Itapira, graças ao trabalho do secretário de Esportes e Lazer da cidade, Luiz Domingues, precisou mudar para Campo Grande (MS) por causa da perseguição da FPF (Federação Paulista de Futebol), que não reconhece o valor de um clube tradicional no futebol feminino e se deu ao luxo de não indicar o Saad como representante paulista na competição.

Essa perseguição ao Saad custou a perda para Itapira de seu representante no futebol feminino. Assediado por dirigentes do Mato Grosso do Sul, que acenaram com uma boa proposta, o Saad deve ficar por lá mesmo. Pior para nós, itapirenses, que ficaremos privados da competência de suas jogadoras. Pior para Itapira, que não terá mais a mesma notoriedade e visibilidade na mídia, alcançada durante a curta passagem do Saad por aqui.

Pior para todos nós que, enquanto os dirigentes da CBF e da FPF teimarem em não reconhecer o valor do futebol feminino e o talento de nossas jogadoras, ficaremos privados de ter um campeonato nacional decente na modalidade.

Feliz Natal a todos!

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::27/11/2007

Uma vaga para três

O Brasileirão está chegando ao fim com o final esperado por todos. O São Paulo campeão e muita briga pelas vagas na Libertadores.

A rodada do final de semana, que se completa nesta quarta-feira, definiu outros dois classificados para a Libertadores. Santos e Flamengo, que venceram Paraná e Atlético Paranaense, respectivamente, se juntaram ao São Paulo e ao Fluminense, este garantido pela conquista da Copa do Brasil.

Resta uma vaga para o grupo que vai representar o Brasil na competição sulamericana. São três postulantes. O Palmeiras, que tem 58 pontos e recebe o Atlético Mineiro; o Cruzeiro, que soma 57 e tem o rebaixado América de Natal com adversário no Mineirão, e o Grêmio, que também tem 57 pontos e tem o Corinthians como adversário no Olímpico.

A curiosidade maior fica para a torcida dos rivais. O Palmeiras conta com uma ajudinha do Corinthians, caso não derrote o Galo mineiro, e o Cruzeiro torce pelo seu maior rival no Palestra Itália para ultrapassar o Verdão.

O final de semana marcou também um fato que já era esperado. O estádio da Fonte Nova, que há anos está em processo de deterioração, foi palco de uma tragédia que culminou com a morte de sete torcedores do Bahia, que comemoravam o retorno do tricolor baiano à série B do Brasileiro. E pensar que a Fonte Nova está incluída como possível sede de jogos do Mundial de 2014.

E-mail para a coluna: humbertobutti@hotmail.com

::03/10/2007

Não tem como enganar o telespectador

Durante a final do Mundial de Futebol Feminino, que a Band transmitiu com exclusividade para os canais abertos, o narrador Luciano do Valle cansou de anunciar a partida do Campeonato Italiano, entre Milan e Catania que, segundo ele, a emissora transmitiria AO VIVO às 11h55.

Só engoliu a mentira quem não tem TV a cabo em casa. A ESPN mostrou o jogo AO VIVO de verdade, às 10h00, portanto, duas horas antes da Band mostrar o VT.

Hoje, com o advento da TV a cabo e da internet, fica difícil enganar o telespectador dessa forma. Ou Luciano do Valle também foi enganado ou acha que o telespectador é bobo.

Louve-se a posição da Band em mostrar o Mundial de Futebol Feminino ao vivo, direto da China, e a campanha que fez para que o país passe a dar valor ao trabalho que está sendo feito na modalidade.

Mas o narrador, o comentarista Neto (que é daqui bem pertinho, de Santo Antonio de Posse) e a retaguarda deveriam se preparar melhor e dar valor às cidades que apóiam o futebol feminino.

Luciano mostrou total desconhecimento de causa e cansou de apelar para os emails dos telespectadores. Neto falou muito de Jaguariúna, mas esqueceu de citar que Itapira acolheu o Saad, que cedeu cinco jogadoras para a equipe medalhista de ouro do Pan e de prata no Mundial.

Se é para louvar quem realmente trabalha, então é melhor ficar informado antes de qualquer comentário.

Até a próxima!

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