::22/12/2008

Futebol paulista ficará mais forte em 2009

O futebol paulista vem dominando o cenário brasileiro nos últimos cinco anos. O São Paulo, com o inédito tricampeonato do Campeonato Brasileiro (2006, 07 e 08, o hexacampeão se somadas as conquistas de 77, 86 e 91), o Corinthians, campeão em 2005, e o Santos vencedor em 2004. Na era dos pontos corridos, apenas o Cruzeiro, que levantou a taça em 2003, quebrou a hegemonia do futebol de São Paulo.

Mas, ao analisar a supremacia paulista, não quero entrar em duelos bairristas. O Grêmio, agora em 2008, correu atrás do título até a última rodada, quando o título ficou com o São Paulo. Cruzeiro e Flamengo, ao lado de Palmeiras, também travaram árdua disputa para dar a volta olímpica.

O fato é que o futebol paulista está em alta porque os clubes são administrados com profissionalismo, pagam os salários em dia, e disputam um campeonato regional bem mais acirrado por causa da força de várias equipes do Interior de São Paulo. Em que cidade do mundo treinadores do nível de Vanderlei Luxemburgo, Muricy Ramalho e Mano Menezes disputarão um título regional?

É verdade que o São Paulo está bem mais estruturado que os seus concorrentes. Existem modernos Centro de Treinamentos, do elenco profissional, na Barra Funda; e dos times amadores, na cidade de Cotia. O clube também tem o Reffis, o melhor local para recuperar atletas machucados ou recém-operados que atuam no futebol nacional e internacional. O Morumbi é disparado o melhor estádio paulista. Tanto que vai abrigar a partida inaugural da Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

Mas, além da estrutura física, dentro de campo Muricy Ramalho vem reinando absoluto na parte tática. E sempre que perde jogadores, ano a ano, como foram os casos de Mineiro, Grafite, Josué, Danilo, Cicinho, Ilsinho, Leandro, Souza, Aloísio, Breno, Alex Silva, entre outros, o treinador conseguiu peças de reposição à altura.

Para 2009, além de manter a base do time campeão, o Tricolor já está se reforçando. Chegaram o lateral-direito Wagner Diniz, do Vasco; e o volante Eduardo Costa, ex-Grêmio. E o artilheiro Washington, do Fluminense, negocia e pode atuar no Morumbi. A torcida pode sonhar com novos títulos.

Já o Corinthians, campeão brasileiro da Série B, soube se estruturar após o fiasco em 2007, quando foi rebaixado após inúmeros escândalos dentro e fora dos gramados. A nova administração contratou um treinador competente (Mano Menezes), trouxe ótimos jogadores (André Santos, Chicão, William, Elias, Herrera, Cristian, Morais e Douglas, entre outros) e levantou a taça com muita facilidade.

E para 2009, com a contratação de Ronaldo (Fenômeno), Túlio, Jorge Henrique, o Corinthians vai lutar por todos os títulos que disputar. Além disso, se já lotava os estádios com o time disputando a Série B, agora vai encher até o Parque São Jorge durante os treinamentos diários.

O Palmeiras, apesar de fracassar nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro, também fez uma ótima temporada. A equipe comandada por Vanderlei Luxemburgo ganhou o título paulista e, apesar dos tropeços na Copa do Brasil e na Copa Sul-Americana, garantiu a cobiçada classificação na pré-Libertadores no Brasileiro.

É verdade que alguns jogadores importantes estão indo embora, como são os casos de Martinez, Elder Granja, Denílson e, provavelmente, Leandro. Mas a diretoria corre atrás de reforços, aposta nas contratações de Marquinhos, ex-Vitória; Cleiton Xavier, em Figueirense, e, principalmente, Keirrison, do Coritiba, que só deve chegar em abril de 2009.

Quem decepcionou em 2008 foi o Santos. Além de ser eliminado na primeira fase do Campeonato Paulista, a equipe trocou de treinador várias vezes e quase foi rebaixada no Brasileiro. A renovação de contrato de Márcio Fernandes é um sinal que o clube não fará grandes investimentos. Mas a contratação de Madson, ex-Vasco; a renovação do contrato do goleiro Fábio Costa, e a permanência de Kléber Pereira, deixaram a torcida um pouco mais animada.

A temporada de 2009 terá início somente no dia 21 de janeiro, quando São Paulo, Palmeiras e Corinthians começarão a correr atrás do título paulista. Melhor para o Timão, já que os seus principais rivais paulistas estarão priorizando a Libertadores. Porém, tudo indica que o futebol paulista ficará ainda mais forte, com os seus clubes sendo os principais candidatos a levantarem taças no próximo ano.

Feliz Natal a todos e um excelente Ano Novo aos amigos do Esporte Itapirense!

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::11/11/2008

Luxemburgo: o grande estrategista está em má fase

É inegável a competência do técnico Vanderlei Luxemburgo, que comanda o Palmeiras na temporada de 2008. O seu vitorioso currículo é a prova do seu talento não só à beira do campo, mas também nas estratégias de jogo, no conhecimento aos adversários, na montagem do elenco e na maneira de tirar o máximo de cada jogador.

Luxemburgo chegou ao Palmeiras no início deste ano, aproveitou a base da equipe montada em 2007 pelo técnico Caio Júnior, ganhou reforços respeitáveis como Alex Mineiro, Kléber, Diego Souza, Denílson, Elder Granja, além de manter no elenco vários jogadores eficientes como Pierre, Martinez, Leandro e Gustavo. Além disso, o treinador acreditou na recuperação do goleiro Marcos, que após sucessivas lesões, recuperou a vaga no time titular.

O eficiente trabalho de Vanderlei Luxemburgo, aliado ao elenco composto por vários excelentes jogadores, trouxe resultado imediato. Com brilhantismo, o Palmeiras conquistou o título paulista. Eliminou o São Paulo, do artilheiro Adriano, nas semifinais, e atropelou a Ponte Preta nas decisões, como duas vitórias: 1 a 0, em Campinas; e o massacrante 5 a 0, no Palestra Itália.

Mas, no Campeonato Brasileiro, o grande objetivo do Palmeiras, e, principalmente, na Copa Sul-Americana, Luxemburgo entrou em má fase. É claro que a campanha da equipe é considerada muito boa. Mesmo perdendo nas últimas rodadas, o Verdão ainda tem chance de conquistar o título, ou, no mínimo, de assegurar a vaga na Libertadores. Porém, o Verdão não depende mais de si por inúmeros erros.

O Palmeiras e Traffic (empresa de marketing esportivo, que ajudou o clube a contratar reforços) foram atrás de reforços. Mas, sempre sob a orientação de Luxemburgo, o clube errou feio ao negociar o zagueiro Henrique e, principalmente, o meia Valdivia, que não tinha bom relacionamento com o treinador.

Além de perder Henrique e Valdivia ao longo do Brasileiro, as contratações solicitadas por Luxemburgo não vingaram. Jogadores como Maicosuel, Gladstone, Jeci, Jumar, Sandro Silva, Fabinho Capixaba, Jefferson, Lenny, Jorge Preá, Paulo Miranda e Thiago Cunha alternaram altos e baixos. E, na maioria das vezes, quando eles precisaram mostrar serviço em jogos decisivos, fracassaram. Não mostraram talento com a camisa alviverde.

Mesmo com alguns erros de estratégia, o que não é comum na carreira de Luxemburgo, o Palmeiras sempre esteve entre os primeiros colocados. Mas na reta final, quando os favoritos ao título começaram a fazer a diferença, como está acontecendo com São Paulo e Grêmio, o Verdão sentiu a falta de um banco de reservas à altura dos titulares.

As constantes confusões com os principais astros do clube também arranharam a sua imagem. Ele entrou em atrito com Valdivia e não fez o menor esforço para segurá-lo no elenco. Apostou em Diego Souza, que é um bom jogador, mas não tem o talento e visão de jogo do chileno. Depois, o treinador criticou abertamente o goleiro Marcos por ter dado declarações que ele considerou ofensivas ao elenco após a derrota para o Fluminense. Cerceou o direito de falar do seu capitão e ainda o ameaçou.

A Copa Sul-Americana também foi um erro de cálculo de Luxemburgo. Com tantos jogadores no elenco à disposição, o treinador poderia ter montado um time A e B e valorizado os reservas do elenco. Ele utilizou reservas em alguns jogos, titulares em outros e mesclou a equipe em outras partidas.

Mas o principal erro de Luxemburgo foi abandonar a equipe considerada reserva, com os titulares Kléber e Martinez, na derrota para o Argentinos Juniors por 2 a 0, em Buenos Aires, que eliminou o Palmeiras nas semifinais da Copa Sul-Americana. O treinador ficou treinando com os titulares, largou os atletas que não considerava importantes para a partida contra o Grêmio, e foi bancar o comentarista na TV Globo. Faltou consideração e sobrou má vontade para viajar e estar ao lado do grupo. E o elenco rachou.

Com vários erros, o Palmeiras perdeu a grande oportunidade de disparar na liderança do título brasileiro. Além disso, a equipe foi eliminada na Copa Sul-Americana. E agora o time está na dependência de tropeços de São Paulo, Grêmio e Cruzeiro para sonhar com o caneco nacional.

A vaga na Libertadores é mais viável para o Palmeiras. Luxemburgo tem um grupo em mãos que pode reagir, mas ele precisará driblar a má fase, adotar um discurso mais humilde e admitir culpa na maioria dos erros cometidos pelo clube nesta temporada. Caso contrário, a tendência é o clube se afundar ainda mais nas últimas rodadas.

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::25/09/2008

Trocar de treinador durante a temporada nunca é a melhor saída

É claro que o futebol é dinâmico. Os maus resultados geralmente acabam derrubando os treinadores. Mas, a cada ano que passa, os clubes mais organizados mostram que o caminho não é esse. Palmeiras, São Paulo e Corinthians, que permaneceram com as suas comissões técnicas em 2008, além de lutarem por títulos, conseguiram manter um grupo forte e competitivo nas mais variadas competições, estão caminhando a passos largos para um futuro brilhante. Os torcedores do trio de ferro festejarão títulos neste ano, e, muito provavelmente, muitos outros em 2009. Graças ao planejamento, organização e confiança em seus respectivos profissionais.

O Corinthians, por exemplo, já trata da renovação de contrato de Mano Menezes. O vice-campeonato da Copa do Brasil não fez o treinador balançar no cargo. A perda para o Sport foi um duro golpe, mas bem assimilado pelos dirigentes, que não sucumbiram a nenhuma pressão externa. O Palmeiras, se não perder Vanderlei Luxemburgo para a seleção brasileira no ano que vem, já tem contrato assinado com o treinador até dezembro de 2009. O mesmo acontece com o São Paulo, que no primeiro semestre deste ano prorrogou o vínculo de Muricy Ramalho até o final da próxima temporada.

O Santos e a Portuguesa, por exemplo, que cansaram de trocar treinadores neste ano, agora lutam contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. No Fluminense e Vasco, no Rio de Janeiro, está acontecendo o mesmo. Total falta de comando nos clubes, onde os presidentes geralmente sucumbem aos torcedores uniformizados, que vivem os pressionando, o que resulta na troca da comissão técnica após algumas derrotas.

No São Paulo, o presidente Juvenal Juvêncio contou uma longa e engraçada história para mostrar que os torcedores, os conselheiros e até mesmo os dirigentes mais próximos não conseguem fazê-lo de mudar de idéia. Neste ano, por exemplo, ele lembra que todo mundo tentou fazer a sua cabeça para demitir Muricy Ramalho. Mas, apesar dos altos e baixos da equipe, ele renovou o contrato do treinador até dezembro de 2009.

Juvenal Juvêncio contou que retornou ao São Paulo, no cargo de vice-presidente de futebol, quando o chileno Roberto Rojas havia assumido o cargo interinamente e permanecido no comando do clube em 2004.

- O Rojas era preparador de goleiros. Apesar do trabalho bem feito, eu ofereci outro cargo. O São Paulo não poderia ser comandado por uma pessoa que nunca havia sido treinador. Foi aí que contratei o Cuca – conta Juvenal.

Cuca chegou ao São Paulo e indicou várias boas contratações. Chegaram jogadores que havia trabalhado com ele no Goiás, casos de Grafite, Fabão, Danilo, e, posteriormente, Josué. O treinador fez um grande trabalho, levando o clube para a semifinal da Libertadores de 2005.

Porém, após ser eliminado pelo modesto Once Caldas, da Colômbia, Cuca perdeu o controle emocional. Juvenal Juvêncio percebeu a instabilidade do treinador e o chamou para uma conversa.

- No São Paulo, eu não tenho por costume demitir treinador. Ele tem a temporada inteira para fazer o seu trabalho. No final, quando vence o contrato, faço uma avaliação e decido se o contrato será renovado. No caso do Cuca, ele me disse que não estava conseguindo trabalhar, que estava estressado, e aceitei o seu pedido de demissão. Não havia mais condições de continuar com ele – explica o presidente do São Paulo.

Emerso Leão chegou no final da temporada de 2004, e logo no início de 2005 levou o São Paulo ao título paulista. Mas deixou o clube em seguida.

- O Leão me disse que tinha uma proposta milionária do Japão e estava pensando em deixar o São Paulo para atender o pedido de um amigo. Eu desejei boa sorte e aceitei o seu pedido de demissão. Ninguém fica no clube insatisfeito – recorda Juvenal.

Leão saiu no primeiro semestre de 2005, chegou Paulo Autuori, que tinha contrato até o final da temporada, e levou o São Paulo aos títulos da Libertadores e do Mundial de Clubes, no Japão. Ele estava prestes a renovar o contrato por mais um ano, quando recebeu uma proposta milionária do Al-Rayyan, do Qatar.

- Também liberei o Autuori e fui atrás do Muricy – diz o presidente tricolor.

Muricy Ramalho chegou ao São Paulo em janeiro de 2006. Foi bicampeão brasileiro, mas não conseguiu sucesso no Paulistão e na Libertadores. Mas Juvenal, apesar de sofrer pressões, o manteve no cargo em 2008 e já o confirmou em 2009. O presidente tricolor entende que somente dando seqüência ao trabalho é que o clube voltará a conquistar título. E o caminho é esse mesmo.

Com Muricy Ramalho permanecendo no São Paulo, Luxemburgo no Palmeiras, e Mano Menezes no Corinthians, o trio vai lutar, em igualdade de condições, por títulos em 2009. Que o Santos e a Portuguesa façam o mesmo, voltem a pensar grande, e entrem no seleto grupo dos clubes que priorizam o planejamento, a organização e respeitem os contratos assinados com os seus respectivos treinadores.

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::18/08/2008

É preciso respeitar o torcedor!

O presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Pólo Del Nero, criou uma Comissão Gestora de Venda de Ingressos ao Torcedor. A decisão tem como finalidade acabar com o sofrimento dos torcedores que ainda são apaixonados pelo futebol, mas que geralmente são maltratados nas bilheterias de todos estádios de São Paulo, ou melhor, do Brasil. Não existe organização e falta respeito. Existem longas filas para adquirir os ingressos, poucas bilheterias abertas, muitos cambistas sendo privilegiados por alguém ligado aos clubes, enquanto os torcedores são obrigados a enfrentar sol, frio e chuva para conseguir a sua entrada.

A Comissão Gestora de Venda de Ingressos ao Torcedor é presidida por Marco Aurélio Klein, um dos membros da diretoria da FPF, e composta por Roberto Cicivizzo Júnior, vice-presidente do Departamento Jurídico da FPF e responsável pela instalação do JECRIM nos estádios; coronel Marcos Cabral Marinho de Moura, diretor do Departamento de Segurança e Prevenção da Violência; Andréa dos Santos Franco, responsável pelo Departamento de Arrecadação da FPF, e Dárcio José Marques, responsável pela fiscalização nos estádios. Tomara que eles sejam competentes para conseguir facilitar a vida dos torcedores. Não é possível que os cambistas continuem sendo privilegiados por alguém dentro dos clubes, ou de seus departamentos de arrecadação e bilheterias, enquanto os apaixonados pelo futebol sofram e, muitas vezes, desistam de retornar aos estádios por pura falta de organização e respeito.

Os pontos de vendas para os torcedores comprarem os ingressos ainda são reduzidos em todas as competições. As vendas pela internet são insignificantes e desorganizadas. E a profissionalização na comercialização das entradas é muito fácil de ser resolvida. Basta, por exemplo, informatizar todo o processo e colocar os ingressos para serem comercializados em todas as casas lotéricas e postos do correio, entre outros comércios.

Com ingressos sendo vendidos em casas lotéricas, postos de correios e até mesmo bancas de jornal que são informatizadas, o torcedor teria facilidade para adquirir a sua entrada e, muito provavelmente, de toda a sua família. Os estádios continuariam vendendo os ingressos, assim como os postos de vendas atuais. Tudo muito fácil, organizado e sem filas, com muita comodidade para quem ama o futebol e quer acompanhar, no estádio, o seu clube de coração.

E para encontrar uma solução é fácil. Os ingressos seriam numerados, colocados em um programa de computação, que apontaria com rapidez e correção quando os mesmos se esgotassem. Uma medida fácil, inteligente e favorável ao torcedor. Mas que talvez ainda não foi utilizada porque tem muita gente ganhando dinheiro escuso, facilitando entradas para cambistas, e tornando o comércio negro lucrativo.

Os representantes da Gestora de Venda de Ingressos ao Torcedor estão visitando os clubes, analisando os pontos de vendas atuais e procurando informações a respeito da maneira como são vendidos os ingressos. Eles também prometem criar uma equipe de orientadores para ajudar os torcedores nos portões de entrada dos estádios e um serviço de atendimento à torcida, um canal para o torcedor dar sugestões e fazer críticas.

Esse é o melhor caminho para respeitar o torcedor e facilitar o retorno, de várias famílias, aos estádios de futebol. Mas não basta apenas profissionalizar a venda dos ingressos. É preciso que os preços das entradas sejam barateados, que exista segurança dentro e fora dos estádios, que os banheiros sejam limpos, e que os lugares, principalmente nas arquibancadas, sejam numerados e respeitados, como determina a Fifa. Só assim conseguiremos tornar o futebol uma diversão familiar. Caso contrário, os estádios continuarão cada vez mais vazios, como já acontece nas grandes competições.

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::10/07/2008

Pênalti não é loteria

O Fluminense perdeu o título da Libertadores para a LDU, do Equador. Depois de uma derrota fora de casa por 4 a 2, no Maracanã o Tricolor das Laranjeiras venceu por 3 a 1, no tempo normal, e ficou no empate sem gols na prorrogação. Nas penalidades, o time carioca levou os milhares de torcedores que estavam no estádio ao desespero ao apanhar por 3 a 1. Foi o que bastou para o velho e surrado jargão do futebol vir à tona. Pênalti é loteria! Pura bobagem! É preciso dar mérito aos goleiros e admitir que existem outros fatores que levam o atleta a desperdiçar a penalidade.

Pênalti jamais foi loteria. E nunca será. Além de treinamentos intensivos, que não podem ser trabalhados somente em vésperas de jogos decisivos, mas sim nos treinamentos diários, a cobrança de penalidade envolve outros fatores. O cobrador precisa estar bem fisicamente, pois o cansaço e a cãibra podem prejudicá-lo no momento de bater na bola. Mas, acima de tudo, o jogador precisa ter controle emocional. Não é fácil pegar a bola e caminhar até a marca do pênalti, sob vaias ou aplausos de milhares de torcedores. Tremer ou sentir o peso da responsabilidade pode perfeitamente acontecer com qualquer ser humano. Não é pecado admitir isso.

Lembro perfeitamente que fui entrevistar o atacante Dinei e o volante Vampeta, que atuavam pelo Corinthians e perderam pênaltis em um clássico contra o Palmeiras, nas quartas-de-final da Libertadores de 99. Marcos defendeu as duas penalidades.

Sinceros, Vampeta e Dinei admitiram que sentiram o peso da responsabilidade. E por não treinarem penalidades, já que Marcelinho Carioca era o cobrador oficial do time, perderam o duelo com o goleiro Marcos. Pura realidade. O erro aconteceu por falta de treinamentos específicos. E fim de papo!

No ano seguinte, nas semifinais da Libertadores, nova disputa de pênaltis entre Palmeiras e Corinthians. E deu Verdão novamente. Mérito do goleiro Marcos, que fez uma grande defesa em chute de Marcelinho Carioca. Não houve loteria. Marcos contou que havia estudado as cobranças do ídolo corintiano. Profissionalismo, interesse e dedicação do goleiro palmeirense.

É claro que errar um pênalti é humano. Faz parte do futebol. Pelé, Maradona, Zico, Platini, Baresi, Zidane, entre outros craques do passado e do presente, já perderam penalidades. Muitas delas em Copas do Mundo. Mas não desperdiçaram as cobranças porque erraram na loteria. As justificativas podem ser as mais variadas: cobraram mal, tremeram, escorregaram, sentiram o peso da responsabilidade, desconcentraram, ou até mesmo foram cheio de pose para bater na bola. Tudo, menos loteria.

O maior exemplo de que não existe a tal da loteria dos pênaltis aconteceu na decisão da Libertadores deste ano. Na primeira cobrança do Fluminense, feita pelo argentino Conca, o chute saiu fraco, rasteiro e quase no meio do gol. É claro que o goleiro Cevallos teve mérito ao escolher o canto certo. Mas o cobrador fraquejou no chute.

Na segunda, o craque Thiago Neves, que havia feito os três gols do Fluminense, perdeu totalmente a concentração por causa da catimba de Cevallos. Quando o jogador partiu para a cobrança, o goleiro da LDU abandonou o gol para reclamar com a arbitragem. Mesmo assim, o camisa 10 do Tricolor das Laranjeiras chutou no canto esquerdo. O juiz mandou voltar a cobrança e Cevallos, que ficou se mexendo em cima da linha, apontou para o outro canto, mostrando que Thiago Neves trocaria o canto da cobrança. Foi o que aconteceu e o que facilitou a defesa. Falta de concentração e não loteria.

Depois de Cícero marcar o único gol do Fluminense, em cobrança de pênalti, Washington partiu para a quarta penalidade. Era nítido que o atacante estava pálido, nervoso, quase amarelo com tamanha responsabilidade. A tremedeira o fez bater fraco e rasteiro na bola. Cevallos não fez muito esforço para fazer a cobrança e dar o título para a LDU.

A verdade é que o pênalti é feito para o cobrador fazer o gol. A desvantagem do goleiro é imensa. O gol é enorme, a distância da bola é pequena e os cantos estão livres. Mas nem todo mundo tem 100% de precisão nas cobranças. O erro é humano. Mas não existe loteria. É mérito, sorte, tranqüilidade, talento e eficiência. Sejam dos cobradores ou dos goleiros.

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::16/06/2008

Rivalidade não é sinônimo de violência

Amigos do portal Esporte Itapirense. É com prazer que aceitei o convite para escrever uma coluna sobre o futebol. O meu tema preferido é o mundo da bola pelo interior de São Paulo. Sou fã das curiosidades que existem pelas mais variadas cidades e clubes que disputam a Primeira, Segunda, Terceira e Quarta Divisões do futebol paulista.

Eu iniciei a minha carreira no jornalismo esportivo cobrindo o futebol na cidade de Guarulhos, pela Folha Metropolitana, em 1991. Em 92, eu fui para o caderno de esporte do Diário Popular, que posteriormente virou Diário de São Paulo, e comecei a cobrir mais de perto os clubes do Interior. Viajei muito, fiz diversos amigos, conheci estruturas e estádios, muitos deles precários, histórias, curiosidades e me apaixonei pelo tema.

Atualmente sou repórter esportivo do site www.globoesporte.com. Mas a paixão pelos clubes do Interior e da Grande São Paulo, até mesmo por equipes da Capital, como o Nacional e o Juventus, continua me fazendo buscar histórias curiosas, divertidas, de dificuldades, superação, luta, rebaixamentos, acessos, negociações e conquistas. É por isso que criei o blog www.blogademar.blogspot.com com a finalidade de divulgar os mais variados assuntos.

Em cima de um tema curioso, eu quero falar na minha primeira coluna de rivalidade sadia. Nada de violência, inimizade ou algo que traga prejuízo ao futebol e, principalmente, ao ser humano. Ninguém é inimigo por torcer por um clube que não seja o seu. Somos rivais, temos paixões diferentes, mas nunca seremos inimigos. Futebol é alegria e tristeza. Mas assim que o juiz apita o final da partida é preciso saber ganhar e perder. Rir e chorar. E respeitar o adversário. Os altos e baixos fazem parte do esporte.

E a história curiosa que quero contar para vocês é a respeito da rivalidade existente em Ribeirão Preto, onde os torcedores do Botafogo e Comercial dividem a cidade. Os botafoguenses vibram com a Pantera, o mascote do clube tricolor, enquanto os comercialinos festejam com o Leão, mascote da equipe alvinegra.

As duas equipes disputarão a Copa Federação Paulista de Futebol, a partir da segunda quinzena do mês de julho, que vale ao campeão a cobiçada vaga na Copa do Brasil de 2009. Botafogo e Comercial estão no mesmo grupo e se enfrentarão logo na primeira rodada. Por isso, os clubes correm atrás de reforços.

E um dos reforços do Comercial deixou os seus torcedores desesperados. Afinal, a diretoria contratou o volante Daniel Pantera, de 25 anos, ex-Londrina. Assim que ficaram sabendo que Pantera, mascote do rival, jogaria no clube, os comercialinos protestaram. Os botafoguenses gritam o nome de Pantera para saudar o seu time e esse nome é vetado no estádio Palma Travassos, campo do Comercial.

Preocupada, a diretoria do Comercial promoveu uma conversa entre Daniel Pantera e os principais representantes das torcidas organizadas do clube. Os torcedores explicaram a situação para o novo reforço do time e sugeriram que ele mudasse de apelido, talvez para Daniel Fera.

O jogador entendeu o apelo da torcida do Comercial e afirmou que a partir de agora aceitava ser chamado de Daniel Fera. A Pantera ficou fazendo parte do seu passado. E o ex-Pantera, que agora é o volante Fera, promete fazer a sua estréia com a camisa do Leão derrotando a Pantera. Os torcedores vibraram e o assunto virou parte do folclore do futebol paulista.

Luiz Ademar

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