::22/12/2008
Futebol
paulista ficará mais forte em 2009
O
futebol paulista vem dominando o cenário brasileiro nos últimos
cinco anos. O São Paulo, com o inédito tricampeonato
do Campeonato Brasileiro (2006, 07 e 08, o hexacampeão se
somadas as conquistas de 77, 86 e 91), o Corinthians, campeão
em 2005, e o Santos vencedor em 2004. Na era dos pontos corridos,
apenas o Cruzeiro, que levantou a taça em 2003, quebrou a
hegemonia do futebol de São Paulo.
Mas,
ao analisar a supremacia paulista, não quero entrar em duelos
bairristas. O Grêmio, agora em 2008, correu atrás do
título até a última rodada, quando o título
ficou com o São Paulo. Cruzeiro e Flamengo, ao lado de Palmeiras,
também travaram árdua disputa para dar a volta olímpica.
O
fato é que o futebol paulista está em alta porque
os clubes são administrados com profissionalismo, pagam os
salários em dia, e disputam um campeonato regional bem mais
acirrado por causa da força de várias equipes do Interior
de São Paulo. Em que cidade do mundo treinadores do nível
de Vanderlei Luxemburgo, Muricy Ramalho e Mano Menezes disputarão
um título regional?
É
verdade que o São Paulo está bem mais estruturado
que os seus concorrentes. Existem modernos Centro de Treinamentos,
do elenco profissional, na Barra Funda; e dos times amadores, na
cidade de Cotia. O clube também tem o Reffis, o melhor local
para recuperar atletas machucados ou recém-operados que atuam
no futebol nacional e internacional. O Morumbi é disparado
o melhor estádio paulista. Tanto que vai abrigar a partida
inaugural da Copa do Mundo de 2014, no Brasil.
Mas,
além da estrutura física, dentro de campo Muricy Ramalho
vem reinando absoluto na parte tática. E sempre que perde
jogadores, ano a ano, como foram os casos de Mineiro, Grafite, Josué,
Danilo, Cicinho, Ilsinho, Leandro, Souza, Aloísio, Breno,
Alex Silva, entre outros, o treinador conseguiu peças de
reposição à altura.
Para
2009, além de manter a base do time campeão, o Tricolor
já está se reforçando. Chegaram o lateral-direito
Wagner Diniz, do Vasco; e o volante Eduardo Costa, ex-Grêmio.
E o artilheiro Washington, do Fluminense, negocia e pode atuar no
Morumbi. A torcida pode sonhar com novos títulos.
Já
o Corinthians, campeão brasileiro da Série B, soube
se estruturar após o fiasco em 2007, quando foi rebaixado
após inúmeros escândalos dentro e fora dos gramados.
A nova administração contratou um treinador competente
(Mano Menezes), trouxe ótimos jogadores (André Santos,
Chicão, William, Elias, Herrera, Cristian, Morais e Douglas,
entre outros) e levantou a taça com muita facilidade.
E
para 2009, com a contratação de Ronaldo (Fenômeno),
Túlio, Jorge Henrique, o Corinthians vai lutar por todos
os títulos que disputar. Além disso, se já
lotava os estádios com o time disputando a Série B,
agora vai encher até o Parque São Jorge durante os
treinamentos diários.
O
Palmeiras, apesar de fracassar nas últimas rodadas do Campeonato
Brasileiro, também fez uma ótima temporada. A equipe
comandada por Vanderlei Luxemburgo ganhou o título paulista
e, apesar dos tropeços na Copa do Brasil e na Copa Sul-Americana,
garantiu a cobiçada classificação na pré-Libertadores
no Brasileiro.
É
verdade que alguns jogadores importantes estão indo embora,
como são os casos de Martinez, Elder Granja, Denílson
e, provavelmente, Leandro. Mas a diretoria corre atrás de
reforços, aposta nas contratações de Marquinhos,
ex-Vitória; Cleiton Xavier, em Figueirense, e, principalmente,
Keirrison, do Coritiba, que só deve chegar em abril de 2009.
Quem
decepcionou em 2008 foi o Santos. Além de ser eliminado na
primeira fase do Campeonato Paulista, a equipe trocou de treinador
várias vezes e quase foi rebaixada no Brasileiro. A renovação
de contrato de Márcio Fernandes é um sinal que o clube
não fará grandes investimentos. Mas a contratação
de Madson, ex-Vasco; a renovação do contrato do goleiro
Fábio Costa, e a permanência de Kléber Pereira,
deixaram a torcida um pouco mais animada.
A
temporada de 2009 terá início somente no dia 21 de
janeiro, quando São Paulo, Palmeiras e Corinthians começarão
a correr atrás do título paulista. Melhor para o Timão,
já que os seus principais rivais paulistas estarão
priorizando a Libertadores. Porém, tudo indica que o futebol
paulista ficará ainda mais forte, com os seus clubes sendo
os principais candidatos a levantarem taças no próximo
ano.
Feliz
Natal a todos e um excelente Ano Novo aos amigos do Esporte Itapirense!
E-mail
para a coluna: luizademar@hotmail.com
Acesse
meu blog - http://blogademar.blogspot.com
::11/11/2008
Luxemburgo:
o grande estrategista está em má fase
É
inegável a competência do técnico Vanderlei
Luxemburgo, que comanda o Palmeiras na temporada de 2008. O seu
vitorioso currículo é a prova do seu talento não
só à beira do campo, mas também nas estratégias
de jogo, no conhecimento aos adversários, na montagem do
elenco e na maneira de tirar o máximo de cada jogador.
Luxemburgo
chegou ao Palmeiras no início deste ano, aproveitou a base
da equipe montada em 2007 pelo técnico Caio Júnior,
ganhou reforços respeitáveis como Alex Mineiro, Kléber,
Diego Souza, Denílson, Elder Granja, além de manter
no elenco vários jogadores eficientes como Pierre, Martinez,
Leandro e Gustavo. Além disso, o treinador acreditou na recuperação
do goleiro Marcos, que após sucessivas lesões, recuperou
a vaga no time titular.
O
eficiente trabalho de Vanderlei Luxemburgo, aliado ao elenco composto
por vários excelentes jogadores, trouxe resultado imediato.
Com brilhantismo, o Palmeiras conquistou o título paulista.
Eliminou o São Paulo, do artilheiro Adriano, nas semifinais,
e atropelou a Ponte Preta nas decisões, como duas vitórias:
1 a 0, em Campinas; e o massacrante 5 a 0, no Palestra Itália.
Mas,
no Campeonato Brasileiro, o grande objetivo do Palmeiras, e, principalmente,
na Copa Sul-Americana, Luxemburgo entrou em má fase. É
claro que a campanha da equipe é considerada muito boa. Mesmo
perdendo nas últimas rodadas, o Verdão ainda tem chance
de conquistar o título, ou, no mínimo, de assegurar
a vaga na Libertadores. Porém, o Verdão não
depende mais de si por inúmeros erros.
O
Palmeiras e Traffic (empresa de marketing esportivo, que ajudou
o clube a contratar reforços) foram atrás de reforços.
Mas, sempre sob a orientação de Luxemburgo, o clube
errou feio ao negociar o zagueiro Henrique e, principalmente, o
meia Valdivia, que não tinha bom relacionamento com o treinador.
Além
de perder Henrique e Valdivia ao longo do Brasileiro, as contratações
solicitadas por Luxemburgo não vingaram. Jogadores como Maicosuel,
Gladstone, Jeci, Jumar, Sandro Silva, Fabinho Capixaba, Jefferson,
Lenny, Jorge Preá, Paulo Miranda e Thiago Cunha alternaram
altos e baixos. E, na maioria das vezes, quando eles precisaram
mostrar serviço em jogos decisivos, fracassaram. Não
mostraram talento com a camisa alviverde.
Mesmo
com alguns erros de estratégia, o que não é
comum na carreira de Luxemburgo, o Palmeiras sempre esteve entre
os primeiros colocados. Mas na reta final, quando os favoritos ao
título começaram a fazer a diferença, como
está acontecendo com São Paulo e Grêmio, o Verdão
sentiu a falta de um banco de reservas à altura dos titulares.
As
constantes confusões com os principais astros do clube também
arranharam a sua imagem. Ele entrou em atrito com Valdivia e não
fez o menor esforço para segurá-lo no elenco. Apostou
em Diego Souza, que é um bom jogador, mas não tem
o talento e visão de jogo do chileno. Depois, o treinador
criticou abertamente o goleiro Marcos por ter dado declarações
que ele considerou ofensivas ao elenco após a derrota para
o Fluminense. Cerceou o direito de falar do seu capitão e
ainda o ameaçou.
A
Copa Sul-Americana também foi um erro de cálculo de
Luxemburgo. Com tantos jogadores no elenco à disposição,
o treinador poderia ter montado um time A e B e valorizado os reservas
do elenco. Ele utilizou reservas em alguns jogos, titulares em outros
e mesclou a equipe em outras partidas.
Mas
o principal erro de Luxemburgo foi abandonar a equipe considerada
reserva, com os titulares Kléber e Martinez, na derrota para
o Argentinos Juniors por 2 a 0, em Buenos Aires, que eliminou o
Palmeiras nas semifinais da Copa Sul-Americana. O treinador ficou
treinando com os titulares, largou os atletas que não considerava
importantes para a partida contra o Grêmio, e foi bancar o
comentarista na TV Globo. Faltou consideração e sobrou
má vontade para viajar e estar ao lado do grupo. E o elenco
rachou.
Com
vários erros, o Palmeiras perdeu a grande oportunidade de
disparar na liderança do título brasileiro. Além
disso, a equipe foi eliminada na Copa Sul-Americana. E agora o time
está na dependência de tropeços de São
Paulo, Grêmio e Cruzeiro para sonhar com o caneco nacional.
A
vaga na Libertadores é mais viável para o Palmeiras.
Luxemburgo tem um grupo em mãos que pode reagir, mas ele
precisará driblar a má fase, adotar um discurso mais
humilde e admitir culpa na maioria dos erros cometidos pelo clube
nesta temporada. Caso contrário, a tendência é
o clube se afundar ainda mais nas últimas rodadas.
E-mail
para a coluna: luizademar@hotmail.com
Acesse
meu blog - http://blogademar.blogspot.com
::25/09/2008
Trocar
de treinador durante a temporada nunca é a melhor saída
É
claro que o futebol é dinâmico. Os maus resultados
geralmente acabam derrubando os treinadores. Mas, a cada ano que
passa, os clubes mais organizados mostram que o caminho não
é esse. Palmeiras, São Paulo e Corinthians, que permaneceram
com as suas comissões técnicas em 2008, além
de lutarem por títulos, conseguiram manter um grupo forte
e competitivo nas mais variadas competições, estão
caminhando a passos largos para um futuro brilhante. Os torcedores
do trio de ferro festejarão títulos neste ano, e,
muito provavelmente, muitos outros em 2009. Graças ao planejamento,
organização e confiança em seus respectivos
profissionais.
O
Corinthians, por exemplo, já trata da renovação
de contrato de Mano Menezes. O vice-campeonato da Copa do Brasil
não fez o treinador balançar no cargo. A perda para
o Sport foi um duro golpe, mas bem assimilado pelos dirigentes,
que não sucumbiram a nenhuma pressão externa. O Palmeiras,
se não perder Vanderlei Luxemburgo para a seleção
brasileira no ano que vem, já tem contrato assinado com o
treinador até dezembro de 2009. O mesmo acontece com o São
Paulo, que no primeiro semestre deste ano prorrogou o vínculo
de Muricy Ramalho até o final da próxima temporada.
O
Santos e a Portuguesa, por exemplo, que cansaram de trocar treinadores
neste ano, agora lutam contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro.
No Fluminense e Vasco, no Rio de Janeiro, está acontecendo
o mesmo. Total falta de comando nos clubes, onde os presidentes
geralmente sucumbem aos torcedores uniformizados, que vivem os pressionando,
o que resulta na troca da comissão técnica após
algumas derrotas.
No
São Paulo, o presidente Juvenal Juvêncio contou uma
longa e engraçada história para mostrar que os torcedores,
os conselheiros e até mesmo os dirigentes mais próximos
não conseguem fazê-lo de mudar de idéia. Neste
ano, por exemplo, ele lembra que todo mundo tentou fazer a sua cabeça
para demitir Muricy Ramalho. Mas, apesar dos altos e baixos da equipe,
ele renovou o contrato do treinador até dezembro de 2009.
Juvenal
Juvêncio contou que retornou ao São Paulo, no cargo
de vice-presidente de futebol, quando o chileno Roberto Rojas havia
assumido o cargo interinamente e permanecido no comando do clube
em 2004.
-
O Rojas era preparador de goleiros. Apesar do trabalho bem feito,
eu ofereci outro cargo. O São Paulo não poderia ser
comandado por uma pessoa que nunca havia sido treinador. Foi aí
que contratei o Cuca – conta Juvenal.
Cuca
chegou ao São Paulo e indicou várias boas contratações.
Chegaram jogadores que havia trabalhado com ele no Goiás,
casos de Grafite, Fabão, Danilo, e, posteriormente, Josué.
O treinador fez um grande trabalho, levando o clube para a semifinal
da Libertadores de 2005.
Porém,
após ser eliminado pelo modesto Once Caldas, da Colômbia,
Cuca perdeu o controle emocional. Juvenal Juvêncio percebeu
a instabilidade do treinador e o chamou para uma conversa.
-
No São Paulo, eu não tenho por costume demitir treinador.
Ele tem a temporada inteira para fazer o seu trabalho. No final,
quando vence o contrato, faço uma avaliação
e decido se o contrato será renovado. No caso do Cuca, ele
me disse que não estava conseguindo trabalhar, que estava
estressado, e aceitei o seu pedido de demissão. Não
havia mais condições de continuar com ele –
explica o presidente do São Paulo.
Emerso
Leão chegou no final da temporada de 2004, e logo no início
de 2005 levou o São Paulo ao título paulista. Mas
deixou o clube em seguida.
-
O Leão me disse que tinha uma proposta milionária
do Japão e estava pensando em deixar o São Paulo para
atender o pedido de um amigo. Eu desejei boa sorte e aceitei o seu
pedido de demissão. Ninguém fica no clube insatisfeito
– recorda Juvenal.
Leão
saiu no primeiro semestre de 2005, chegou Paulo Autuori, que tinha
contrato até o final da temporada, e levou o São Paulo
aos títulos da Libertadores e do Mundial de Clubes, no Japão.
Ele estava prestes a renovar o contrato por mais um ano, quando
recebeu uma proposta milionária do Al-Rayyan, do Qatar.
-
Também liberei o Autuori e fui atrás do Muricy –
diz o presidente tricolor.
Muricy
Ramalho chegou ao São Paulo em janeiro de 2006. Foi bicampeão
brasileiro, mas não conseguiu sucesso no Paulistão
e na Libertadores. Mas Juvenal, apesar de sofrer pressões,
o manteve no cargo em 2008 e já o confirmou em 2009. O presidente
tricolor entende que somente dando seqüência ao trabalho
é que o clube voltará a conquistar título.
E o caminho é esse mesmo.
Com
Muricy Ramalho permanecendo no São Paulo, Luxemburgo no Palmeiras,
e Mano Menezes no Corinthians, o trio vai lutar, em igualdade de
condições, por títulos em 2009. Que o Santos
e a Portuguesa façam o mesmo, voltem a pensar grande, e entrem
no seleto grupo dos clubes que priorizam o planejamento, a organização
e respeitem os contratos assinados com os seus respectivos treinadores.
E-mail
para a coluna: luizademar@hotmail.com
Acesse
meu blog - http://blogademar.blogspot.com
::18/08/2008
É
preciso respeitar o torcedor!
O
presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco
Pólo Del Nero, criou uma Comissão Gestora de Venda
de Ingressos ao Torcedor. A decisão tem como finalidade acabar
com o sofrimento dos torcedores que ainda são apaixonados
pelo futebol, mas que geralmente são maltratados nas bilheterias
de todos estádios de São Paulo, ou melhor, do Brasil.
Não existe organização e falta respeito. Existem
longas filas para adquirir os ingressos, poucas bilheterias abertas,
muitos cambistas sendo privilegiados por alguém ligado aos
clubes, enquanto os torcedores são obrigados a enfrentar
sol, frio e chuva para conseguir a sua entrada.
A
Comissão Gestora de Venda de Ingressos ao Torcedor é
presidida por Marco Aurélio Klein, um dos membros da diretoria
da FPF, e composta por Roberto Cicivizzo Júnior, vice-presidente
do Departamento Jurídico da FPF e responsável pela
instalação do JECRIM nos estádios; coronel
Marcos Cabral Marinho de Moura, diretor do Departamento de Segurança
e Prevenção da Violência; Andréa dos
Santos Franco, responsável pelo Departamento de Arrecadação
da FPF, e Dárcio José Marques, responsável
pela fiscalização nos estádios. Tomara que
eles sejam competentes para conseguir facilitar a vida dos torcedores.
Não é possível que os cambistas continuem sendo
privilegiados por alguém dentro dos clubes, ou de seus departamentos
de arrecadação e bilheterias, enquanto os apaixonados
pelo futebol sofram e, muitas vezes, desistam de retornar aos estádios
por pura falta de organização e respeito.
Os
pontos de vendas para os torcedores comprarem os ingressos ainda
são reduzidos em todas as competições. As vendas
pela internet são insignificantes e desorganizadas. E a profissionalização
na comercialização das entradas é muito fácil
de ser resolvida. Basta, por exemplo, informatizar todo o processo
e colocar os ingressos para serem comercializados em todas as casas
lotéricas e postos do correio, entre outros comércios.
Com
ingressos sendo vendidos em casas lotéricas, postos de correios
e até mesmo bancas de jornal que são informatizadas,
o torcedor teria facilidade para adquirir a sua entrada e, muito
provavelmente, de toda a sua família. Os estádios
continuariam vendendo os ingressos, assim como os postos de vendas
atuais. Tudo muito fácil, organizado e sem filas, com muita
comodidade para quem ama o futebol e quer acompanhar, no estádio,
o seu clube de coração.
E
para encontrar uma solução é fácil.
Os ingressos seriam numerados, colocados em um programa de computação,
que apontaria com rapidez e correção quando os mesmos
se esgotassem. Uma medida fácil, inteligente e favorável
ao torcedor. Mas que talvez ainda não foi utilizada porque
tem muita gente ganhando dinheiro escuso, facilitando entradas para
cambistas, e tornando o comércio negro lucrativo.
Os
representantes da Gestora de Venda de Ingressos ao Torcedor estão
visitando os clubes, analisando os pontos de vendas atuais e procurando
informações a respeito da maneira como são
vendidos os ingressos. Eles também prometem criar uma equipe
de orientadores para ajudar os torcedores nos portões de
entrada dos estádios e um serviço de atendimento à
torcida, um canal para o torcedor dar sugestões e fazer críticas.
Esse
é o melhor caminho para respeitar o torcedor e facilitar
o retorno, de várias famílias, aos estádios
de futebol. Mas não basta apenas profissionalizar a venda
dos ingressos. É preciso que os preços das entradas
sejam barateados, que exista segurança dentro e fora dos
estádios, que os banheiros sejam limpos, e que os lugares,
principalmente nas arquibancadas, sejam numerados e respeitados,
como determina a Fifa. Só assim conseguiremos tornar o futebol
uma diversão familiar. Caso contrário, os estádios
continuarão cada vez mais vazios, como já acontece
nas grandes competições.
E-mail
para a coluna: luizademar@hotmail.com
Acesse
meu blog - http://blogademar.blogspot.com
::10/07/2008
Pênalti
não é loteria
O
Fluminense perdeu o título da Libertadores para a LDU, do
Equador. Depois de uma derrota fora de casa por 4 a 2, no Maracanã
o Tricolor das Laranjeiras venceu por 3 a 1, no tempo normal, e
ficou no empate sem gols na prorrogação. Nas penalidades,
o time carioca levou os milhares de torcedores que estavam no estádio
ao desespero ao apanhar por 3 a 1. Foi o que bastou para o velho
e surrado jargão do futebol vir à tona. Pênalti
é loteria! Pura bobagem! É preciso dar mérito
aos goleiros e admitir que existem outros fatores que levam o atleta
a desperdiçar a penalidade.
Pênalti
jamais foi loteria. E nunca será. Além de treinamentos
intensivos, que não podem ser trabalhados somente em vésperas
de jogos decisivos, mas sim nos treinamentos diários, a cobrança
de penalidade envolve outros fatores. O cobrador precisa estar bem
fisicamente, pois o cansaço e a cãibra podem prejudicá-lo
no momento de bater na bola. Mas, acima de tudo, o jogador precisa
ter controle emocional. Não é fácil pegar a
bola e caminhar até a marca do pênalti, sob vaias ou
aplausos de milhares de torcedores. Tremer ou sentir o peso da responsabilidade
pode perfeitamente acontecer com qualquer ser humano. Não
é pecado admitir isso.
Lembro
perfeitamente que fui entrevistar o atacante Dinei e o volante Vampeta,
que atuavam pelo Corinthians e perderam pênaltis em um clássico
contra o Palmeiras, nas quartas-de-final da Libertadores de 99.
Marcos defendeu as duas penalidades.
Sinceros,
Vampeta e Dinei admitiram que sentiram o peso da responsabilidade.
E por não treinarem penalidades, já que Marcelinho
Carioca era o cobrador oficial do time, perderam o duelo com o goleiro
Marcos. Pura realidade. O erro aconteceu por falta de treinamentos
específicos. E fim de papo!
No
ano seguinte, nas semifinais da Libertadores, nova disputa de pênaltis
entre Palmeiras e Corinthians. E deu Verdão novamente. Mérito
do goleiro Marcos, que fez uma grande defesa em chute de Marcelinho
Carioca. Não houve loteria. Marcos contou que havia estudado
as cobranças do ídolo corintiano. Profissionalismo,
interesse e dedicação do goleiro palmeirense.
É
claro que errar um pênalti é humano. Faz parte do futebol.
Pelé, Maradona, Zico, Platini, Baresi, Zidane, entre outros
craques do passado e do presente, já perderam penalidades.
Muitas delas em Copas do Mundo. Mas não desperdiçaram
as cobranças porque erraram na loteria. As justificativas
podem ser as mais variadas: cobraram mal, tremeram, escorregaram,
sentiram o peso da responsabilidade, desconcentraram, ou até
mesmo foram cheio de pose para bater na bola. Tudo, menos loteria.
O
maior exemplo de que não existe a tal da loteria dos pênaltis
aconteceu na decisão da Libertadores deste ano. Na primeira
cobrança do Fluminense, feita pelo argentino Conca, o chute
saiu fraco, rasteiro e quase no meio do gol. É claro que
o goleiro Cevallos teve mérito ao escolher o canto certo.
Mas o cobrador fraquejou no chute.
Na
segunda, o craque Thiago Neves, que havia feito os três gols
do Fluminense, perdeu totalmente a concentração por
causa da catimba de Cevallos. Quando o jogador partiu para a cobrança,
o goleiro da LDU abandonou o gol para reclamar com a arbitragem.
Mesmo assim, o camisa 10 do Tricolor das Laranjeiras chutou no canto
esquerdo. O juiz mandou voltar a cobrança e Cevallos, que
ficou se mexendo em cima da linha, apontou para o outro canto, mostrando
que Thiago Neves trocaria o canto da cobrança. Foi o que
aconteceu e o que facilitou a defesa. Falta de concentração
e não loteria.
Depois
de Cícero marcar o único gol do Fluminense, em cobrança
de pênalti, Washington partiu para a quarta penalidade. Era
nítido que o atacante estava pálido, nervoso, quase
amarelo com tamanha responsabilidade. A tremedeira o fez bater fraco
e rasteiro na bola. Cevallos não fez muito esforço
para fazer a cobrança e dar o título para a LDU.
A
verdade é que o pênalti é feito para o cobrador
fazer o gol. A desvantagem do goleiro é imensa. O gol é
enorme, a distância da bola é pequena e os cantos estão
livres. Mas nem todo mundo tem 100% de precisão nas cobranças.
O erro é humano. Mas não existe loteria. É
mérito, sorte, tranqüilidade, talento e eficiência.
Sejam dos cobradores ou dos goleiros.
E-mail
para a coluna: luizademar@hotmail.com
Acesse
meu blog - http://blogademar.blogspot.com
::16/06/2008
Rivalidade
não é sinônimo de violência
Amigos do portal Esporte Itapirense. É com prazer que aceitei
o convite para escrever uma coluna sobre o futebol. O meu tema preferido
é o mundo da bola pelo interior de São Paulo. Sou
fã das curiosidades que existem pelas mais variadas cidades
e clubes que disputam a Primeira, Segunda, Terceira e Quarta Divisões
do futebol paulista.
Eu iniciei a minha carreira no jornalismo esportivo cobrindo o futebol
na cidade de Guarulhos, pela Folha Metropolitana, em 1991. Em 92,
eu fui para o caderno de esporte do Diário Popular, que posteriormente
virou Diário de São Paulo, e comecei a cobrir mais
de perto os clubes do Interior. Viajei muito, fiz diversos amigos,
conheci estruturas e estádios, muitos deles precários,
histórias, curiosidades e me apaixonei pelo tema.
Atualmente sou repórter esportivo do site www.globoesporte.com.
Mas a paixão pelos clubes do Interior e da Grande São
Paulo, até mesmo por equipes da Capital, como o Nacional
e o Juventus, continua me fazendo buscar histórias curiosas,
divertidas, de dificuldades, superação, luta, rebaixamentos,
acessos, negociações e conquistas. É por isso
que criei o blog www.blogademar.blogspot.com com a finalidade de
divulgar os mais variados assuntos.
Em cima de um tema curioso, eu quero falar na minha primeira coluna
de rivalidade sadia. Nada de violência, inimizade ou algo
que traga prejuízo ao futebol e, principalmente, ao ser humano.
Ninguém é inimigo por torcer por um clube que não
seja o seu. Somos rivais, temos paixões diferentes, mas nunca
seremos inimigos. Futebol é alegria e tristeza. Mas assim
que o juiz apita o final da partida é preciso saber ganhar
e perder. Rir e chorar. E respeitar o adversário. Os altos
e baixos fazem parte do esporte.
E a história curiosa que quero contar para vocês é
a respeito da rivalidade existente em Ribeirão Preto, onde
os torcedores do Botafogo e Comercial dividem a cidade. Os botafoguenses
vibram com a Pantera, o mascote do clube tricolor, enquanto os comercialinos
festejam com o Leão, mascote da equipe alvinegra.
As duas equipes disputarão a Copa Federação
Paulista de Futebol, a partir da segunda quinzena do mês de
julho, que vale ao campeão a cobiçada vaga na Copa
do Brasil de 2009. Botafogo e Comercial estão no mesmo grupo
e se enfrentarão logo na primeira rodada. Por isso, os clubes
correm atrás de reforços.
E um dos reforços do Comercial deixou os seus torcedores
desesperados. Afinal, a diretoria contratou o volante Daniel Pantera,
de 25 anos, ex-Londrina. Assim que ficaram sabendo que Pantera,
mascote do rival, jogaria no clube, os comercialinos protestaram.
Os botafoguenses gritam o nome de Pantera para saudar o seu time
e esse nome é vetado no estádio Palma Travassos, campo
do Comercial.
Preocupada, a diretoria do Comercial promoveu uma conversa entre
Daniel Pantera e os principais representantes das torcidas organizadas
do clube. Os torcedores explicaram a situação para
o novo reforço do time e sugeriram que ele mudasse de apelido,
talvez para Daniel Fera.
O jogador entendeu o apelo da torcida do Comercial e afirmou que
a partir de agora aceitava ser chamado de Daniel Fera. A Pantera
ficou fazendo parte do seu passado. E o ex-Pantera, que agora é
o volante Fera, promete fazer a sua estréia com a camisa
do Leão derrotando a Pantera. Os torcedores vibraram e o
assunto virou parte do folclore do futebol paulista.
Luiz Ademar
E-mail para a coluna: luizademar@hotmail.com
|