Pachecão.
Sempre!!!
Sou
fanático por esporte. Desde que me conheço por gente.
E ainda mais quando meu pai ofereceu-me, quase que despretensiosamente,
um exemplar da revista Placar, no final de 84 e começo de
85. Qualquer disputa me chama a atenção. Principalmente
quando envolve as cores da nossa bandeira. Seja no futebol, no automobilismo
ou até mesmo na peteca.
Pintou
verde e amarelo na telinha, lá estou eu fervorosamente torcendo,
roendo minhas unhas, suando frio na palma da mão ou nos pés
– para espanto da minha esposa, que até hoje não
se acostumou muito bem com isso, após quase seis anos de
deliciosa união conjugal. Antigamente, era até mesmo
um fanatismo exagerado. De ficar com a bandeira torcida enrolada
no pescoço e não mudar a posição na
cadeira para não ‘dar azar’ – ou mudar,
caso o time não estivesse correspondendo.
Depois,
com o passar dos anos, quando descobri que o esporte, em alguns
casos específicos, não passava de um portentoso ‘negócio’,
diminuiu um pouco minha paixão exagerada. Mas mesmo assim,
ainda torço e sofro pra caramba. E foi assim na madrugada
de domingo passado, dia 8, durante o GP da Malásia de Fórmula
1. Como nas glamourosas épocas de Senna e Piquet, não
me fiz de rogado. Acordei cedinho para acompanhar os treinos no
dia anterior e a corrida, no domingão. Para espanto de amigos
e familiares. ‘Você está maluco’, escutei
aos borbotões.
Pôxa!
Nunca estivemos tão próximos de ver um brasileiro
novamente lutar pelo título mundial de Fórmula 1,
desde o trágico 1º de maio de 94, quando Senna nos deixou.
E Felipe Massa parecia corresponder às expectativas desse
verdadeiro Pachecão das pistas. Fez a pole e parecia que
nem mesmo se o insuperável Schumacher estivesse correndo
o brasileiro seria ultrapassado. Veio a corrida e com ela a decepção.
Massa largou mal, foi passear pela brita e terminou em um modorrento
quinto lugar.
Baixada
a adrenalina, no day after do GP, eis que emergiu de dentro de mim
a constatação: acho que novamente ficaremos órfãos
de ver um brasileiro campeão na F1. Massa, ao que parece,
não tem aquele brilho dos eternos campeões. Aquela
luz, aquele dedo, aquela voz: ‘este é o cara!’
(desculpe o plágio, Romário). Mas, como fanático
e ferrenho torcedor que sou, espero que minha constatação
esteja equivocada. E, no final do ano, meus sacrifícios pelas
madrugadas afora e meus faniquitos na poltrona de casa valham a
pena. E que Massa tape a minha boca.
Paulo
Rogério Tenorio
e-mail: paulorogeriotenorio@yahoo.com.br
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