Entrevistado: Luiz Domingues (Secretário de Esportes e Lazer de Itapira)

::23/07/2007

Ligado no esporte 24 horas por dia

Se o dia tivesse mais que 24 horas, com certeza, o secretário de Esportes e Lazer de Itapira, Luiz Domingues, viveria algumas horas a mais ligado no esporte. Com larga experiência no assunto, esse professor, formado há 33 anos em Educação Física pela PUCCAMP, tem sua vida ligada ao esporte em todos os sentidos.
Aos 54 anos, casado com Solange, pai de Rodrigo, Carol e Renata e avô do Luís Augusto, Luiz Domingues tem opiniões formadas nos mais variados segmentos do esporte brasileiro. Foi atleta profissional, atuando como goleiro de futebol em clubes como Itapira AC, Guaçuano, Rio Branco (Americana), Inter de Limeira e União Possense, e chegou a integrar o time juvenil do Palmeiras em 72, mas foi como dirigente de esporte que inseriu seu nome no rol daqueles que se destacam.
Como dirigente esportivo atuou como diretor de Esportes e Turismo de Mogi Mirim de 89 a 92, é presidente do Panathlon Clube de Itapira desde sua fundação em 93 e atualmente responde pela Secretaria de Esportes e Lazer de Itapira. Como essa bagagem, principalmente conquistada através de intercâmbios com países como Cuba, Rússia, México, Argentina e Paraguai, Domingues tem opinião formada sobre o momento vivido pelo país, que viver a febre dos Jogos Pan-americanos. “Acredito que o Brasil não deveria estar sediando uma competição como o Pan, principalmente por priorizar 500 ou 600 atletas que estão participando, mas deixando de lado a formação de um sem número de jovens, que poderiam ter mais oportunidades no esporte, revela.
Logo após voltar de Bragança Paulista, onde comandou a participação de Itapira na 51ª edição dos Jogos Regionais, Domingues falou ao portal Esporte Itapirense.


ESPORTE ITAPIRENSE – Itapira terminou sua participação nos Jogos Regionais na nona colocação geral. Como você vê essa participação itapirense, ficando à frente de cidades de maior porte e ponteando o grupo integrado por outras de mesmo porte?

LUIZ DOMINGUES – Foi dentro do esperado. Nos últimos anos estamos dominando esse grupo integrado por cidades de mesmo porte que Itapira e no ano passado conseguimos ficar em quinto lugar no geral, mas muito mais por causa do pouco investimento de cidades de grande porte. Hoje acredito que estamos no lugar correto, pois essas cidades passaram a investir. Outro ponto diz respeito aos atletas contratados por diversas cidades. Nós só completamos as modalidades onde não temos atletas e quem vem de fora faz isso por amizade, sem receber nada e sem qualquer ônus para o município.

ESPORTE ITAPIRENSE – Como atleta agora e como dirigente, como você vê os Jogos Regionais na atualidade?

DOMINGUES – Participei como atleta em 70 e 71, mas a partir do ano de 72 passei a atuar como dirigente por Campinas e posso dizer que mudou muito de lá para cá. Hoje existem duas linhas, a da competição extrema, que exige resultado a qualquer custo, e a dos que fazem um trabalho e desejam mostrar. Os Jogos Regionais dos dias de hoje estão muito inchados, com muitas modalidades e isso fez a competição perder seu verdadeiro objetivo de integrar através do esporte. Com muitas modalidades a competição ficou longa demais com duas semanas de duração e isso faz acabar a integração da delegação. Hoje o pessoal vai, compete e volta pra casa, ao contrário de antigamente quando todos ficavam na sede dos Jogos durante uma semana inteira, competindo ou torcendo pelos companheiros de outras modalidades.

ESPORTE ITAPIRENSE – Falando sobre o Pan, o que melhora para o esporte brasileiro a realização do Pan no país?

DOMINGUES – Acredito que para o esporte brasileiro só é uma boa pra quem está lá, participando. Sou contra a realização do Pan no Brasil porque prioriza apenas 500 ou 600 atletas que estão lá, participando, enquanto muita gente poderia estar recebendo mais incentivo do governo, sem falar no superfaturamento. Deveria mudar muita coisa no esporte brasileiro o fato do país sediar uma competição desse nível, mas não acredito que isso vá ocorrer. Depois que o Pan acabar volta tudo ao normal, ao mesmo esquecimento de sempre.

ESPORTE ITAPIRENSE – O futebol é o esporte número um do país e recebe todas as atenções, além de grandes investimentos, mas você não acha que deveria haver um apoio maior às outras modalidades?

DOMINGUES – O futebol é o esporte preferido dos brasileiros e isso ninguém pode negar, mas existem as outras modalidades e é preciso que se olhe para elas, se veja as necessidades de cada uma. Acabando o Pan, por exemplo, o taekwondo, que ganhou ouro, o badminton, que ganhou bronze, voltam para o esquecimento.

ESPORTE ITAPIRENSE – Há dois anos e meio comandando a Secretaria de Esportes e Lazer de Itapira, como você vê esse trabalho? Você está conseguindo realizar tudo aquilo que pretendia?

DOMINGUES – Acredito que sim, estou conseguindo fazer com que a cidade ofereça condições para todos poderem praticar esporte, não importando a modalidade. Acredito muito na tese que afirma que primeiro temos que oferecer condições para todos praticarem esporte para depois se aproveitar as potencialidades que apareçam. A população deve ter saúde, integração social, lazer, educação e o esporte, que depois prioriza um trabalho voltado para o aproveitamento das potencialidades. A primeira fase, que engloba as necessidades, cabe ao poder público que, investindo no esporte, irá gastar menos com saúde e segurança. Não é investir menos, mas gastar menos, o que é muito diferente.

ESPORTE ITAPIRENSE – Oferecer oportunidade para que todos possam praticar esporte tem a ver com a realização do Campeonato Itapirense de Tênis?

DOMINGUES – Com certeza, muitos tentaram unir os clubes em torno de um evento e não conseguiram. O Campeonato Itapirense de Tênis fez isso e ofereceu oportunidade para muitos tenistas, que nem sócios são do Santa Fé, da Recreativa ou do Tênis, de poderem jogar nesses clubes.

ESPORTE ITAPIRENSE – E o futuro do esporte itapirense?

DOMINGUES – Cabe aos governantes. Acredito que tirar alguém do mundo das drogas através do esporte vale muito mais que conquistar uma medalha.