::25/11/2007

‘Itapira começou sua tradição no basquete feminino com a dona Cida no ESO’
Itapirense, há muito tempo radicada no ABC paulista, ligada ao basquete desde os tempos em que defendeu Itapira e, posteriormente, a seleção brasileira, de família com fortes laços com o esporte, Arilza Coraça sonha um dia voltar á cidade natal e trabalhar na formação de uma equipe de basquete. Por e-mail, Arilza concedeu uma entrevista ao Esporte Itapirense e falou sobre sua carreira, seu amor por Itapira e o momento do basquete feminino brasileiro, que busca uma vaga nos Jogos de Pequim em 2008. “O Brasil tem chance, nossa seleção conta com excelentes jogadoras, mas é necessário que o técnico saiba conduzi-las”, disse. Veja na íntegra a entrevista com Arilza Coraça.

ESPORTE ITAPIRENSE - Você atuou no basquete com jogadora e hoje trabalha na parte técnica. Como vê o atual estágio do basquete brasileiro, principalmente o feminino?

ARILZA CORAÇA - Vejo com preocupação, porque percebo muitos professores de Educação Fisica que querem ser técnicos e já começam no adulto, sem antes passar pela base para ganhar experiência e ajudar no trabalho de renovação. A massificação é importante para a descoberta de novos talentos. Precisamos de dirigentes que gostem do basquete feminino e olhem com carinho e cuidado para essa modalidade esportiva. Algumas de nossas jogadoras mais talentosas estão na Europa e nossas competições acabam perdendo um pouco o brilho. Precisamos repatriá-las.

ESPORTE ITAPIRENSE - Você acredita que o Brasil consiga a vaga para os Jogos Olímpicos da China no pré-olímpico do ano que vem? Ou vai sentir a falta de uma líder, como a Janeth?

ARILZA CORAÇA - O Brasil tem chance, pois nossa seleção conta com excelentes jogadoras. É necessário que o atual técnico saiba conduzi-las para que consiga um grupo unido, deixando as vaidades de lado. A Janeth foi uma excelente jogadora, mas não é líder (jogou oito anos conosco em Santo André); diferente de Paula e Hortência, que além de excelentes jogadoras continuam lideres. A liderança começa em primeiro lugar com o técnico e a jogadora líder não tem que necessariamente ser a melhor do time.

ESPORTE ITAPIRENSE - O que falta para o basquete brasileiro voltar a ser brilhante como nos tempos em que você atuou e depois, na era de Paula e Hortência?

ARILZA CORAÇA - É importantíssima a massificação do esporte com trabalho de iniciação nas escolas. Creio que com a Educação Física dentro do período e turmas mistas dificultou um pouco esse trabalho por ser um esporte com contato físico. O voleibol, por exemplo, tem a rede que separa os adversários, o que facilita.

ESPORTE ITAPIRENSE
- Itapira tem tradição de ser uma cidade formadora de atletas para o basquete feminino. Nos Jogos Abertos do Interior, em Praia Grande, você estava no banco de Santo André como auxiliar, e a Vanessa Gattei atuando por Ourinhos. Como você vê essa condição que Itapira possui para formar jogadoras?

ARILZA CORAÇA - Itapira tem tradição no basquete feminino, que começou com a dona Cida (Maria Aparecida Andrade Nogueira) no ESO nos anos 60. A Gattei começou aí com o Flávio (Chiavelli Figueiredo) e continuou sua formação em Santo André, de onde saiu para o adulto de Ourinhos. Hoje a Julie, com apenas 14 anos, já está sendo sondada por varias equipes. Fico feliz porque é da família de basqueteiras. Ela é minha sobrinha neta (NR – Julie, que atua pelo Santa Fé, é filha do técnico Flávio Chiavelli Figueiredo e sua mãe, Nelma, é sobrinha da entrevistada)

ESPORTE ITAPIRENSE - Você não acha interessante a cidade investir para ter um time forte e se inserir no cenário do basquete feminino, como acontece com Catanduva e Ourinhos, por exemplo?

ARILZA CORAÇA - Ficaria muito feliz se Itapira montasse uma equipe adulta.Tenho certeza que seria fácil envolver a comunidade, pois a semente foi plantada há muitos anos.

ESPORTE ITAPIRENSE - Você faz um trabalho diferenciado em Santo André, principalmente nas categorias de base, mas não tem vontade de voltar para Itapira e desenvolver seu trabalho aqui, ou a cidade não possui estrutura para tanto?

ARILZA CORAÇA - Amo Itapira e sempre que posso é para essa cidade que viajo para estar com minha família e amigos itapirenses. A cidade possuiu estrutura física e humana para montar qualquer equipe e, quando eu sair de Santo André é para Itapira que quero voltar.

ESPORTE ITAPIRENSE - No Pan o Brasil apareceu com destaque em várias modalidades, mas depois tudo voltou ao normal. qual seria o caminho para se manter o nível alcançado no Pan?

ARILZA CORAÇA - O Pan é uma competição interessante, mas não é a maior do planeta. É na olimpíada e mundiais que realmente avaliamos o potencial dos atletas. As seleções européias estão fortíssimas e estou um pouco pessimista em relação ao basquete masculino. A lei do incentivo fiscal está aí para ser usada.Todo trabalho exige um aporte financeiro e nosso país é rico em talentos humanos. É necessário descobri-los e cuidar deles tanto na formação física, cultural como espiritual. É muito importante que o atleta seja cuidado como ser humano que é.