::19/11/2007

“O profissionalismo deve entrar no esporte de maneira responsável e atuante”

Não se pode citar o basquete itapirense sem fazer a ligação com o nome de Flávio Chiavelli Figueiredo. Há 16 anos em Itapira, já revelou um sem número de talentos para o esporte. Enérgico e ao mesmo tempo paternal, detalhista e lutador, Figueiredo dirige hoje os times de basquete feminino do Clube de Campo Santa Fé e tem em seu currículo uma lista enorme de títulos, tanto em campeonatos da ARB (Associação Regional de Basquete), como da FPB (Federação Paulista de Basquete), como em Jogos Regionais, entre outros. Em entrevista ao Esporte Itapirense, Flávio Figueiredo revela um pouco de seu trabalho e seus sonhos no esporte.

ESPORTE ITAPIRENSE - Há quanto tempo você trabalha com o basquete itapirense?

FLÁVIO CHIAVELLI FIGUEIREDO - Trabalho desde 1982, ou seja, 16 anos.

ESPORTE ITAPIRENSE - Nesse período você já revelou vários talentos. O que falta para Itapira ter uma equipe que possa jogar os campeonatos na categoria adulto, aproveitando principalmente os talentos que são revelados?

FLÁVIO CHIAVELLI FIGUEIREDO - Falta uma estrutura financeira maior, com recursos para despesas com arbitragem, viagens longas, alimentação, casa de atleta, ajuda de custo e, principalmente, um apoio de alguma faculdade da região, que nos desse bolsa de estudos para alimentar o processo com as jogadoras.

ESPORTE ITAPIRENSE - O Clube de Campo Santa Fé merece destaque pelo trabalho que realiza no basquete feminino e conta com algumas empresas que entenderam a importância desse trabalho. Você acredita que, se essa relação de empresas fosse maior, o trabalho poderia surtir resultados ainda melhores?

FLÁVIO CHIAVELLI FIGUEIREDO - Sem dúvida que sim, porque o trabalho fica limitado pelas dificuldades financeiras, como já citei na resposta anterior.

ESPORTE ITAPIRENSE - Você tem larga experiência em Jogos Regionais e Jogos Abertos do Interior. Como você analisa o momento atual dessas duas competições? Acredita que o modo como são disputadas está correto ou poderia haver uma mudança na forma de disputa?

FLÁVIO CHIAVELLI FIGUEIREDO - Acho que o interesse por Jogos Regionais diminuiu muito nos últimos anos, por vários fatores que não nos cabe enumerar aqui, o que afetou sobremaneira o momento dos Jogos Abertos, que cresceram muito com a criação da Divisão Especial, mas caíram muito com a saída das empresas do esporte, de maneira geral, fazendo com que o nível técnico também caísse, diminuindo o interesse do público em geral. Acho que a volta do estágio de 13 meses poderia ser uma solução para melhorar, apesar de reconhecer que essa ação talvez possa afastar ainda mais as empresas do ramo. Depende de como será negociável essa transação, ou melhor, essa transição. O profissionalismo precisa entrar de fato no esporte, com dirigentes, atletas e comissões técnicas mais atuantes e responsáveis.

ESPORTE ITAPIRENSE - Ourinhos conquistou o hexa no Paulista de Basquete Feminino e tem em seu elenco a itapirense Vanessa Gattei. Você acredita que a participação dela incentiva um número maior de crianças a procurar as escolinhas de basquete?

FLÁVIO CHIAVELLI FIGUEIREDO - Acredito que isso poderia e deveria ser mais utilizado pela modalidade, mas infelizmente não vejo um interesse muito grande no trabalho da modalidade fora do Santa Fé, em nível de iniciação. O clube tem algumas limitações regulamentares, mas o poder público poderia estar melhor programado nessa atividade. O Projeto Karina é um fator de motivação mal explorado.

ESPORTE ITAPIRENSE - Qual seu maior sonho como pessoa envolvida diretamente com o esporte?

FLÁVIO CHIAVELLI FIGUEIREDO - Ver um número maior de crianças envolvidas com o basquetebol, utilizando o esporte como integração social e, claro, revelando novos talentos.