::26/12/2007

‘O Mogi tem mais obrigação de voltar à Série A-1 do que a Esportiva de subir para a A-2’

O ano de 2008 está sendo esperado com muita expectativa por duas cidades vizinhas. Mogi Mirim e Itapira estão separadas por apenas 15 quilômetros e as afinidades são imensas. São inúmeros os casos de itapirenses que atuam profissionalmente em Mogi Mirim e vice-versa e, claro, o esporte acaba interligando as vidas das pessoas que fazem esse trajeto.
Para o jornalista itapirense Paulo Henrique Tenório, 29, editor-chefe de O Impacto, de Mogi Mirim, um dos jornais mais importantes da região, 2008 pode significar muito para as duas cidades no âmbito esportivo. Para ele, o Mogi Mirim tem uma obrigação maior que a Esportiva Itapirense para a temporada que vai entrar. “O Mogi Mirim tem mais obrigação de voltar à Série A-1, do que a Esportiva em relação à Série A-2”, diz.
Formado em Jornalismo em 2004, pelo Unasp (Centro Universitário Adventista de São Paulo), campus de Engenheiro Coelho (SP), Paulo Henrique Tenório começou na carreira aos 14 anos, no jornal Tribuna de Itapira. Em 98 foi para o jornal O Impacto como repórter esportivo, função que desempenhou até maio de 2005, quando passou a atuar com editor-chefe. Passou, também, nesse período, por emissoras de rádio da região, como Chamonix, CBN, Globo e Transamérica, todas de Mogi Mirim, e Clube, de Itapira, e hoje, além de editor-chefe do O Impacto, assina um blog na internet (http://blogpaulohenrique.zip.net/), que tem link no portal Esporte Itapirense.
Durante as festas do Natal, Paulo Henrique Tenório respondeu as perguntas elaboradas pelo Esporte Itapirense sobre vários assuntos ligados ao esporte, principalmente sobre o Mogi Mirim, a Esportiva Itapirense e, claro, como corintiano, a queda do Corinthians para a Série B do Brasileiro.

ESPORTE ITAPIRENSE - Vamos ter uma Copa do Mundo no Brasil em 2014. Qual sua opinião sobre a indicação do Brasil para sede do Mundial?

PAULO HENRIQUE TENÓRIO - Primeiramente, era mais que esperado ver o Brasil como sede de uma Copa do Mundo. Sabia que isso poderia acontecer mais cedo ou mais tarde, pois o Brasil, sendo a única seleção pentacampeã do mundo, que revelou tantos craques para o mundo e por ser um país abundante, teria a obrigação de abrigar o maior evento esportivo do planeta. Mas sabemos dos riscos de se receber uma Copa do Mundo. O Brasil não aprendeu com o Pan. Gastou mundos e fundos por um evento que pouco prestígio rendeu. E o problema não é apenas o retorno que o Pan pôde proporcionar. O Rio de Janeiro mudou depois do Pan? Não. Felizmente, como brasileiro, terei a oportunidade de ver uma Copa do Mundo. No entanto, sinceramente, esta Copa do Mundo está nas mãos erradas. No mínimo, esta Copa deveria ser organizada por gente competente – e idônea.

ESPORTE ITAPIRENSE - Com Ricardo Teixeira à frente, qual o resultado que podemos esperar?

PAULO HENRIQUE TENÓRIO - Tendo Ricardo Teixeira como anfitrião, é óbvio que espero o pior. Uma pessoa que foi alvo de duas CPIs não tem um pingo de credibilidade para organizar um evento tão importante como uma Copa do Mundo. Como o próprio Juca Kfouri costuma mencionar, esta é a Copa da CBF, porque é ela – a CBF – quem manda e desmanda na seleção que deveria ser do Brasil. E esta Copa tem tudo para ser a Copa do Ricardo Teixeira. Veremos muita polêmica até a Copa, como a divisão de recursos para a reforma ou construção de estádios, sobre o lobby de federações e de governadores para a escolha das cidades-sedes. Enfim, serão sete anos preocupantes. No entanto, gostaria muito de ver uma Copa por aqui para presentear o povo brasileiro, tão apaixonado pelo futebol e que certamente verá momentos inesquecíveis para o esporte.

ESPORTE ITAPIRENSE - Kaká, Marta e Buru eleitos os melhores do mundo. O Brasil domina tudo dentro das quatro linhas. O que falta para sermos os melhores também fora delas?

PAULO HENRIQUE TENÓRIO - Talvez seja a pergunta mais respondida por analistas de futebol. É preciso investimento, mas atenção especial principalmente na base, onde tudo começa. O que estão fazendo com o futebol feminino é um sacrilégio sem tamanho. Não há um pingo de respeito com as jogadoras que sequer conseguem disputar uma competição no país que elas defendem. O Brasil é muito amador na sua base, nos campeonatos que revelam seus grandes craques. E não é mistério algum dizer que não há nada que impeça o êxodo de jovens promessas para o futebol europeu.

ESPORTE ITAPIRENSE - Quando o Brasil ganhou o futebol feminino no Pan e foi medalha de prata no Mundial na China, o presidente Lula baixou decreto ordenando a realização de campeonatos nacionais na modalidade e o que se viu até agora foi um mata-mata que a CBF realizou. Será que nunca vão dar valor para o futebol feminino no Brasil?

PAULO HENRIQUE TENÓRIO - Primeiramente, tem cabimento um presidente de uma Nação baixar decreto exigindo campeonato de futebol feminino? Isso não é mais que obrigação de um país que é competente dentro das quatro linhas com os homens e as mulheres. Existem coisas mais importantes para um presidente se preocupar. Agora, não vejo mais necessidade dessas mulheres provarem alguma coisa a mais para que a CBF tome alguma medida que faça mudar este panorama. Resta iniciativa do senhor Ricardo Teixeira que, volto a falar, tem por obrigação cuidar de todo o futebol brasileiro, e não apenas da seleção. Por incrível que possa parecer, o ex-presidente da Federação Paulista de Futebol, Eduardo José Farah, tem seus méritos por ter organizado um campeonato só para as mulheres.

ESPORTE ITAPIRENSE - Como bom corintiano, como você viu o rebaixamento do Timão?

PAULO HENRIQUE TENÓRIO - Juro que não fiquei tão triste como esperava. É claro que bateu aquela angústia, uma dor no peito ao ver que o Corinthians não venceria o Grêmio naquele fatídico jogo no Olímpico. Mas, pensando bem, já vejo vantagem em ver um time em crise ser rebaixado para a Segunda Divisão. O Corinthians certamente voltará se houver planejamento, coisa que não houve nos últimos anos na parceria com a MSI. E aprenderá que futebol não se faz sem um pingo de organização, de preparo, de disciplina dentro e fora das quatro linhas. O problema ainda existente no Corinthians, mesmo na atual administração, é o fato de diretores palpitarem onde não deveriam.

ESPORTE ITAPIRENSE - E essa troca de treinadores nos principais clubes brasileiros: Mano Menezes no Corinthians, Leão no Santos, Luxemburgo no Palmeiras? O quê esperar de 2008?

PAULO HENRIQUE TENÓRIO - Isso é positivo se analisarmos que o futebol paulista reúne o que há de melhor em termos de treinadores. Falo isso levando em conta que o melhor time do Brasil, o São Paulo, conta com um grande treinador, o Muricy. Particularmente, só acho que o Santos peca por contratar alguém tão intransigente como a figura do senhor Leão. Não se discute a competência, mas os métodos são ultrapassados. E no Palmeiras, o grande erro é dar plenos poderes ao Vanderlei Luxemburgo, treinador caro demais para retorno de menos, haja vista que o Santos ganhou poucos títulos por uma comissão técnica tão cara. É muito para o Palmeiras. Por fim, ao Corinthians, é o treinador certo para uma segunda divisão. Erra apenas a aceitar uma cláusula que premia o técnico em R$ 1 milhão se o Corinthians voltar para a primeira divisão. E por acaso o Corinthians não tem a obrigação de subir? Não está contratando o Mano para isso? Então, por que premiá-lo dessa forma?

ESPORTE ITAPIRENSE - Você acompanha de perto o Mogi Mirim, assim como a Esportiva Itapirense. O que podemos esperar do Sapo na A-2 e da Vermelhinha na A-3 de 2008?

PAULO HENRIQUE TENÓRIO - Um ano feliz, um ano em que o Mogi Mirim tem mais obrigação de voltar à Série A-1 do Paulista do que a Esportiva em relação ao acesso para a Série A-2. O Mogi Mirim tem uma boa base formada e tem contratado bons reforços, à altura da filosofia de gastar pouco do presidente Wilson Fernandes de Barros. O clube só pecou na contratação do técnico Luciano Paschoal, um estranho no ninho paulista. Já o caso da Esportiva Itapirense é diferente. É diferente porque o time acaba de sair do amadorismo pleno que é a Série B, para embarcar numa divisão já repleta de perigos e de clubes mais bem preparados. O importante para a Esportiva é não cair.