::15/01/2008

‘O trabalho no tênis de mesa de Itapira tem que começar do zero’

Nascido em Resende, no Rio de Janeiro, mas radicado em Itapira há 20 anos, Gilvan Nogueira está preocupado com o futuro do tênis de mesa no município. “Minhas atletas chegaram à idade do vestibular e não houve como investir em substitutas”, revela. “A maioria deixou o esporte justamente quando a Secretaria de Esportes mais apoiou”.
Aos 48 anos, formado em Educação Física pela Unimep, de Piracicaba, com extensão em treinamento desportivo, fisiologia do esforço, voleibol e tênis de mesa, Gilvan iniciou seu trabalho no esporte de Itapira com o vôlei, modalidade que pratica desde os nove anos. “Minha primeira experiência como treinador foi aos 14 ou 15 anos com técnico do pré-mirim do Colégio Koelle, de Rio Claro, bicampeã dos Jogos Infantis, uma competição local para alunos até a quarta série do hoje Ensino Fundamental”, relembra.
Há 10 anos optou pelo tênis de mesa e formou grandes mesatenistas na cidade, colhendo resultados expressivos. Nessa entrevista ao Esporte Itapirense, Gilvan Nogueira mostra sua preocupação com as peças de reposição e o apoio ao esporte em geral.

ESPORTE ITAPIRENSE - O Brasil ganha destaque no tênis de mesa apenas em nível panamericano. O que falta para ficar em um mesmo nível que chineses, japoneses e coreanos, por exemplo?

GILVAN NOGUEIRA - Uma administração focada no progresso do esporte, incentivo, educação (o esporte sempre deve começar na escola), profissionais capacitados e interessados, comprometidos com o crescimento dos seus alunos, investimento e intercâmbio internacional.

ESPORTE ITAPIRENSE - Itapira já teve grandes jogadores de tênis de mesa e hoje também possui vários destaques. Você pode apontar quais são as promessas itapirenses?

GILVAN NOGUEIRA - Devido a problemas com local para treinamento ficamos muito tempo sem treinar. Minhas atletas chegaram à idade de vestibular. Não houve como investir na formação de substitutos. A maioria deixou o esporte justamente no ano em que a SEL (Secretaria de Esportes e Lazer) mais apoiou. Então, tivemos, sim, talentosos atletas disputando por Itapira, como Larissa Riberti, Laura Coloço, Luciene Pacheco, Luê Zacchi Robles, Gabriela Martelli, Letícia Parajara Scholz, Júlia Franco, Luís Palomo, Rafael Macedo, Eduardo Cereto, Mário Capatto, Arian Nogueira, Fábio Audi,Bruno Zacchi Robles, Rodolfo Palomo, Agnes de Mira, porém, hoje, apenas Agnes de Mira teria condições de carregar esse "cajado". O trabalho tem que ser reiniciado do marco zero, mas com a entrada da Prefeitura, através da SEL, facilitou bastante a implantação de um programa amplo e que trará, com certeza, novos nomes para o tênis de mesa.

ESPORTE ITAPIRENSE - O que falta para Itapira ser uma das potências do tênis de mesa em nível estadual?

GILVAN NOGUEIRA- Em primeiro lugar uma conscientização da importância de se iniciar as atividades esportivas nas escolas, com apoio dos professores, das famílias e especialmente da direção. Depois (o que a SEL já conseguiu) um espaço próprio para o tênis de mesa e vários horários disponíveis para treinamento. Em seguida participar de competições. Finalmente, incentivos capazes de segurar nossas revelações em solo itapirense.

ESPORTE ITAPIRENSE - Em 2008 o tênis de mesa terá um espaço próprio para os treinamentos. Isso contribui para melhorar o nível do nosso tênis de mesa?

GILVAN NOGUEIRA - Muito! Como já frisei na resposta anterior.

ESPORTE ITAPIRENSE - E o esporte itapirense, de maneira geral, qual sua ótica sobre ele?

GILVAN NOGUEIRA - Uma ótima referência, se comparado a muitas cidades. O problema é que não se chega a lugar nenhum vencendo essas cidades. Para se ter uma evolução dentro de qualquer ramo devemos perseguir os bons, lutar muito para ultrapassá-los e mais ainda para nos mantermos à frente depois.

ESPORTE ITAPIRENSE - Falta ajuda das empresas para que as modalidades possam desenvolver um trabalho mais aprofundado e revelar uma gama maior de talentos?

GILVAN NOGUEIRA - Esse é o grande "X" da questão. Acho que existe uma preguiça institucionalizada no meio empresarial itapirense, que faz com que ninguém se apodere dos benefícios fiscais que a lei oferece e nem da propaganda gratuita que isso gera. É muito mais fácil se conseguir apoio para disputar os Jogos de Verão do que para um projeto que visa tirar crianças do ócio, dar instrução esportiva, oferecer uma oportunidade na vida, formar equipes fortes para representar a cidade, espalhar bons cidadãos, etc. Creio que se resolvessem arregaçar as mangas e tentassem, os empresários perceberiam que o lucro é enorme. É só investir certo.

ESPORTE ITAPIRENSE - Passando para o vôlei, que foi a modalidade que você iniciou seu trabalho em Itapira. Em que estágio está o vôlei itapirense?

GILVAN NOGUEIRA – Na estaca zero!

ESPORTE ITAPIRENSE - Existe um trabalho sendo desenvolvido nos bairros?

GILVAN NOGUEIRA – Até o momento não existe um trabalho direcionado para os bairros, muito embora sem a proposta de “treinamento” eu não veja efeito nenhum em trabalhos desse tipo. Tudo tem que ser direcionado para que possamos lucrar no futuro, ou seja, tenhamos atletas aos montes jogando voleibol.

ESPORTE ITAPIRENSE - No Brasil o vôlei é considerado o segundo esporte, atrás apenas do futebol, não só pelas conquistas, mas principalmente pelo interesse do público. Esse interesse ajuda na formação de valores em nível local ou falta um apoio maior para que haja um trabalho mais aprofundado?

GILVAN NOGUEIRA - A garotada tem evitado as coisas difíceis, o desafio mental não faz parte da escala de valores deles. Então, quando se dão a fazer esporte, procuram os mais simples, mais fáceis de aprender. nas escolas já se percebe desde cedo a impaciência dos alunos quando têm que aprender alguma novidade complexa. Sobre ser o segundo esporte nacional, depois do futebol, isso é fato, apesar de que cidades como Itapira resistem bravamente a essa pressão. O que falta mesmo é o apoio de um investimento empresarial, que possa oferecer uma bolsa de estudos integral, material, equipamentos, acessórios pessoais, indumentária apropriada e, se possível, uns trocados para não precisar pedir aos pais. O que a Prefeitura pode fazer, ela faz e nunca poderíamos dizer que faltou, agora, por exemplo, estamos aguardando um concurso para técnico e professores de vôlei para podermos ir aos bairros.