::22/02/2008

‘Ficar fora do rádio é algo parecido como faltar o ar’

Sempre de astral elevado, Maércio Ramos, também conhecido como Morcegão da Rádio Globo, é uma das atrações nas jornadas esportivas da emissora. Mas nem sempre foi assim. Em 99, depois de ter sido eleito a revelação do rádio esportivo de São Paulo, decidiu deixar a carreira e gerenciar o Hotel Santa Cristina, em Avaré, pertencente à família. Como o jornalismo está no sangue de quem é do ramo, sua volta ocorreu em 2007, convidado pela Globo. Esse hiato, porém doeu demais. “Foi como se faltasse o ar. Esse período de nove anos doeu demais em mim”, revela Maércio.
Atualizado em todos os assuntos, principalmente os que envolvem o jornalismo esportivo, Maércio Ramos, aos 42 anos, está mais jovem que nunca, principalmente depois de voltar aos microfones de uma das mais importantes emissoras de rádio do país. “Voltar ao rádio é maravilhoso, fazemos isso mais por amor do que por qualquer outra coisa”.
Em 2007 Máercio Ramos aceitou um convite do editor do Esporte Itapirense, Humberto Butti, com quem trabalhou em 99, e passou a assinar uma coluna no portal. Para os internautas, que navegam pelo Esporte Itapirense, um pouco do alto astral do Morcegão da Globo em entrevista exclusiva.

ESPORTE ITAPIRENSE - Você ficou alguns anos fora do rádio esportivo. Como foi a volta a esse mundo maravilhoso que é o rádio?

MAÉRCIO RAMOS - Primeiro que ter ficado nove anos fora do rádio esportivo doeu demais..Às vezes era parecido como faltar o ar. E, segundo, que a resposta de como foi a volta está no complemento da pergunta, ou seja, maravilhoso. É um negócio impressionante. Fazemos mais por amor do que qualquer outra coisa. É realmente o ar que se respira quando estamos atuando. Por fim, é mágico falar de um lado, o som sair do outro e as pessoas (ouvintes) entenderem tudo, imaginarem e reagirem. Não há nada igual ao rádio. É apaixonante!

ESPORTE ITAPIRENSE - Como você analisa o tratamento dispensado por alguns treinadores aos repórteres, principalmente nas coletivas após os jogos? Por exemplo: Muricy Ramalho é sempre mal-humorado. Leão usa sempre a ironia...

MAÉRCIO RAMOS - Não pela minha experiência como profissional, mas com as coisas que a vida me ensinou como respeito, caráter e admiração às coisas feitas com seriedade e sinceridade, defino essas entrevistas coletivas como disputa entre jornalistas e técnicos. É uma pergunta para "pegar" o treinador e este dá uma resposta ríspida, ignorante ás vezes e sempre na defensiva. Perceba que jamais acontece de um Muricy (mal-humorado e as vezes mal-educado) "tirar o chapéu" para o repórter. É raro e eu mesmo nunca vi ou ouvi. O Leão (muito inteligente, mas extremamente irônico e ás vezes maldoso) jamais perde a chance de um confronto, como se isso fosse necessário. Já o Luxemburgo (muito, mas muito aproveitador e oportunista) é o "bate e assopra" e ele, mais do que ninguém, sabe em que hora bater e assoprar. Ele é o mais vivo de todos. Vivo, mas não o mais inteligente. Vou me ater a esses três que são os principais do nosso estado.

ESPORTE ITAPIRENSE - Se você pudesse convocar a seleção olímpica, quais jogadores acima de 23 anos levaria para Pequim e por quê?

MAÉRCIO RAMOS - O primeiro a ser chamado por mim seria o goleiro Rogério Ceni. Com ele ganharíamos a medalha de ouro. Além de ser um presente para o goleiro, seria uma tremenda surpresa para todo povo brasileiro e para, os nossos adversários, um golpe fatal. Imagina: no gol do Brasil, Rogério Ceni, mundialmente conhecido, ótimo goleiro e que impõe um respeito que só ele é capaz. Ele conquistou isso. Toda partida, no mínimo, terminaria 0 a 0. Duvido que com ele na seleção olímpica o Brasil perca uma partida e se assim for, tá garantido o inédito ouro. Isso é mais do que uma resposta. É um desejo, ou melhor, um sonho. Mas o Dunga não o realizará. E olha que não sou sãopaulino (NR: Maércio Ramos é corintiano). O segundo seria o Kaká. Aqui dispensa maiores explicações. Ele é o melhor de todos. E terceiro, o Juan. Esse zagueiro joga muito e dá uma baita tranqüilidade para qualquer time. E com o Juan fica fácil para os homens de meio-campo e ataque (incluí-se aí o Kaká) trabalharem a bola e chegarem ao gol adversário. O Brasil tem muito craque e precisa de jogadores que brilhem menos e sejam mais eficientes. Esse Juan é assim.

ESPORTE ITAPIRENSE
- O Brasil tem chance de trazer o ouro olímpico no futebol? Ou mais uma vez ficaremos pelo caminho?

MAÉRCIO RAMOS - Penso que dá, mas com o Dunga duvido. Não gosto dele como treinador. Ficaremos pelo caminho.

ESPORTE ITAPIRENSE - Dunga tem em mãos uma boa safra e praticamente todos jogam fora do país. Basta fazer uma análise: Rafinha e Breno na Alemanha; Marcelo na Espanha; Lucas e Anderson na Inglaterra; Alexandre Pato na Itália e assim por diante. Essa experiência internacional pode ajudar a seleção?

MAÉRCIO RAMOS - Puxa! Se ajuda. Volte na minha resposta da pergunta lá atrás, sobre quem eu levaria, e está respondida essa. Só com os nomes citados nesta pergunta acredito que o Brasil, na teoria, já tem o ouro garantido. Mas, como não se ganha antes de jogar, vamos ver.

ESPORTE ITAPIRENSE
- Quem vê os jogos dos campeonatos europeus, principalmente o Inglês, fica com inveja da organização que há por lá e do fato dos estádios estarem sempre lotados. O que falta para o nosso futebol ser organizado fora das quatro linhas?

MAÉRCIO RAMOS - Ter pessoas sérias e que pensem futebol como lazer e programa social. Quem dirige o futebol precisa sentar na arquibancada, ir ao banheiro de um estádio, comer o sanduíche vendido na lanchonete, tomar chuva e pagar o ingresso para tudo isso. Aí ele vai repensar ou desistir da função. Futebol é para que é apaixonado e gosta do que faz. Hoje se tira proveito do esporte mais emocionante do mundo. Quem dirige o futebol não o faz como pai de família, que quer dar ela uma casa limpa, organizada e sempre bonita para receber os amigos e parentes. É isso. Só com o futebol, poderíamos ter campeonato de crianças de rua nas preliminares, a limpeza do estádio poderia ser feita por moradores de rua e outras ações mais que teriam o engajamento de governos municipais e estaduais. Acho que sonho demais. Mas sou um sonhador.