::10/07/2008

“Torcida pode esperar um trabalho sério na Esportiva”

Polêmico, carismático, goleador. Assim era o atacante Dado em sua época como atleta profissional. Autor de muitos gols, tanto no profissional como no amador, Antonio Eduardo Boretti, o Dado, hoje empresta sua experiência e seu carisma à Esportiva Itapirense como dirigente. Em entrevista ao Esporte Itapirense, Dado Boretti conta um pouco de seus momentos como atleta profissional e passa a certeza que o torcedor da Vermelhinha pode esperar por um trabalho sério e honesto do clube para a Copa FPF e o futuro. Acompanhe a entrevista do goleador e hoje dirigente do clube que representa a cidade no futebol profissional.

ESPORTE ITAPIRENSE - Você jogou futebol profissionalmente nas décadas de 70 e 80 e hoje é um dos dirigentes da Esportiva Itapirense. Existe muita diferença entre as duas épocas?

DADO BORETTI - Em termos de organização acredito que a estrutura atual é bem mais profissionalizada que nas décadas de 70 e 80, Se considerarmos que o nosso nível de organização seja semelhante ao das equipes que disputam a série A-2, pois oferecemos aos atletas salário, alojamento, refeições, tratamento médico e odontológico, etc. Também existe outra diferença que considero ser bastante significativa, pois atualmente os atletas jogam exclusivamente pensando no lado financeiro, enquanto que em nossa época jogávamos por amor ao nosso clube e, principalmente, por amor pela nossa cidade.

ESPORTE ITAPIRENSE - Na época que você atuou pelo Itapira AC o interesse do público pelo time era grande, mas nos dias de hoje a freqüência no estádio está ainda maior. Ao que se deve essa onda de interesse do torcedor pela Vermelhinha?

DADO BORETTI - Este interesse deve-se basicamente pelo fato de Itapira ter ficado 20 anos sem disputar um campeonato profissional e nossa cidade sempre teve um amor muito grande pelo futebol, logo este incremento no público presente no estádio é em razão da excelente campanha da Esportiva na Série B em 2007 que culminou com o acesso à Série A-3 em 2008.

ESPORTE ITAPIRENSE - O trabalho da Esportiva está em seu quarto ano. Começou no Sub-20, passou dois anos na Segunda Divisão, alcançou o acesso e teve oportunidade de disputar o acesso na A-3. Agora, um novo passo será dado com a participação na Copa FPF. O que o torcedor pode esperar dessa nova etapa?

DADO BORETTI - O torcedor que acredita no trabalho que vem sendo desenvolvido pela diretoria pode esperar um time competitivo, aguerrido e com muita disposição para enfrentar todos os obstáculos, pois trouxemos novos jogadores e também uma nova comissão técnica.

ESPORTE ITAPIRENSE - O futebol itapirense sempre foi forte, principalmente no que diz respeito aos talentos criados na base. De um tempo para cá esse trabalho parou de dar frutos e o futebol amador da cidade empobreceu de talentos. Agora, com o trabalho de base que está sendo efetivado, você acredita que os frutos começarão a aparecer?

DADO BORETTI - Sem dúvida, pois para se formar uma grande equipe o trabalho de base é fundamental e a Esportiva através de sua diretoria não tem medido esforços para investir na garotada e paralelamente à copa Federação estaremos disputando o Sub-20, inclusive já com alguns garotos de nossa cidade na faixa de 17 anos participando desta competição.

ESPORTE ITAPIRENSE - Depois da passagem do técnico Paulinho Ceará, que ficou no clube por três anos e meio, chegou a vez de Gilson Batata. Ex-atacante, como você, 530 gols oficiais na carreira e muita vontade de vencer na nova profissão. O que esperar do novo treinador?

DADO BORETTI - Pelos contatos que tive com o Gilson até o momento, penso que a torcida pode esperar um trabalho sério de um profissional que fez muito sucesso como jogador de futebol e que, sem dúvida, através de sua determinação, competência, coragem e vontade de vencer, também o fará como técnico da Vermelhinha, atendendo assim as expectativas da diretoria e de toda a nossa querida torcida.

ESPORTE ITAPIRENSE - Você ainda faz seus gols no veterano e é um apaixonado pelo futebol. Mudando o rumo da conversa, Dunga é o técnico certo para comandar a seleção brasileira?

DADO BORETTI - Neste momento não acredito no Dunga como técnico da seleção, pois o mesmo ainda não tem a experiência necessária para comandar uma equipe de futebol. Essa função exige muita competência, principalmente no relacionamento com os jogadores e esse aprendizado se adquire ao longo dos anos através da convivência no dia-a-dia com os atletas. Veja como exemplo o Falcão, que teve uma passagem negativa como técnico da seleção, também pela falta de experiência e, inclusive, encerrou a carreira prematuramente. Agora, cá entre nós, no time em que Falcão jogava, será que o Dunga seria reserva?

ESPORTE ITAPIRENSE - Para encerrar, qual o gol mais bonito e qual o gol mais importante que fez na carreira, ou mesmo depois de ter encerrado o lado profissional?

DADO BORETTI - Olha, sem falsa modéstia, sinceramente o gol mais bonito não consigo mencionar, pois foram tantos e de formas diferentes que fica impossível escolher um único. Agora o gol mais importante que fiz em minha carreira (que ainda continua no Master da Esportiva) foi em 76 jogando pelo Itapira em Santa Cruz das Palmeiras, onde precisávamos vencer a partida para disputar a final do campeonato contra a Santarritense em casa. Começamos perdendo o jogo por 1 a 0 (gol de pênalti) e ainda no final do 1º tempo fiz um gol de cabeça empatando o jogo. O 2º tempo praticamente foi disputado sob uma forte chuva e faltando 10 minutos para terminar o jogo fiz um gol que sem dúvida foi o mais importante de toda a minha carreira. Vencemos o jogo por 2 a 1, marquei os dois gols e com certeza foi uma partida memorável, que todos os atletas e torcedores que participaram deste evento jamais esquecerão.