::29/06/2009

‘Peço é um pouco de paciência com este grupo’

O novo técnico da Itapirense, Wagner dos Anjos, concedeu entrevista ao repórter Rosário Cicotti, do jornal A Cidade, para a seção “Cara a Cara com a Cidade”, reproduzida nessa seção do Esporte Itapirense. O ex-jogador do Palmeiras, do Flamengo e da Seleção Brasileira Sub-20, entre outros clubes, assume a Vermelhinha com a missão de fazer uma renovação e montar a base da equipe que disputará a série da A3. Com poucos recursos, o treinador irá lançar vários garotos no time, maspede à torcida que tenha paciência com o atual grupo.

A Cidade – Lembro de sua passagem pela equipe do Palmeiras durante a década de 90, principalmente naquela equipe vitoriosa comandada pelo técnico Vanderlei Luxemburgo. Conte-nos um pouco mais sobre sua trajetória no futebol, como jogador e técnico.

Wagner dos Anjos – Eu iniciei minha carreira futebolística como jogador na equipe do Juventus, minha base toda foi no moleque travesso. Isso foi de 1987 até 1994, quando fui transferido para a equipe do Palmeiras. Participei daquela equipe campeã brasileira de 1994 e permaneci até 1998. Depois o Palmeiras me emprestou e acabei jogando nas equipes do Flamengo (RJ), Atlético Paranaense (PR), Portuguesa de Desportos, Ponte Preta, Brasiliense (DF) e Guarany do Paraguai que foi meu último clube como jogador. Comecei atuando na lateral-esquerda, mas o Vanderlei começou a me colocar como quarto zagueiro. Na época, o Palmeiras tinha o zagueiro Cléber, que era muito grande, alto e eu fazia a sobra dele. Inclusive agora eles estão aqui perto no Mogi Mirim, o Cléber, o Velloso e o César Sampaio, todos daquele time. Fui campeão brasileiro, paulista e da Copa do Brasil com o Palmeiras, fui também campeão sul-americano e mundial com a seleção brasileira sub-20.
Aí em 2004 eu resolvi para de jogar bola. Fiz estágio durante um tempo com o Luxemburgo no Santos, onde fomos campeões paulista. Em 2007 fiquei um pouco como auxiliar-técnico na Internacional de Limeira e posteriormente fui para o Flamengo de Guarulhos já na condição de técnico. Primeiro fui vice-campeão da Copa Energil C e logo em seguida conseguimos o título da A3 e subimos com o Flamengo. Já na Copinha de 2008, estive no São Bento de Sorocaba. Inclusive estive jogando aqui contra a itapirense. O São Bento se encontrava nas últimas colocações e perdeu boa parte do elenco, assim como a classificação. No meio do ano, o Lelo, que então treinava o São Bernardo, teve um problema de saúde e fui substituí-lo. Peguei o time na zona do rebaixamento e por muito pouco não conseguimos o acesso para a principal. Infelizmente não ganhamos o último jogo em Araras e não classificamos.
Depois disso comecei a avaliar algumas propostas e uma delas era a da Esportiva Itapirense, convite que já havia recebido quando da minha ida para o São Bernardo. Na ocasião, como já tinha fechado com o clube do ABC, foi o Lelo quem assumiu aqui em Itapira. Já era para eu ter vindo para cá antes.
Por fim, esta negociação voltou àa tona neste último mês e acabou dando certo.

A Cidade – Você vai usar a Copa da Federação como base para disputar a série A3 no ano que vem?

Wagner dos Anjos – Olha, veja bem. Em termos financeiros, esta equipe é bem mais barata que a equipe que disputou a série A3 este ano. O fato da Copa não possibilitar o acesso, faz com que a usemos como um laboratório. A maioria dos novos jogadores é nova e com idade bem baixa. Por isso, gostaria até de pedir paciência para a torcida, porque estamos montando um novo grupo, um novo time, com jogadores bem jovens mesmo. Alguns vieram do Guarani e outros do Oscar, mas temos meninos aí de 17, 18 anos. Então é preciso ter paciência. A torcida estava acostumada com uma equipe mais experiente, forte, que bateu na trave na série A3 este ano. Agora a situação é diferente. O time é jovem. Do time antigo temos apenas o goleiro Evandro, o Joel, o Magno, o Veloso, e ainda estamos esperando a definição do Ricardinho se vai ou não para fora do país.

A Cidade – Então você considera que este trabalho irá começar do zero novamente?

Wagner dos Anjos – Sim, totalmente. É um trabalho novo e aí peço a colaboração da imprensa e da torcida no sentido de que entenda que este time é muito jovem, são garotos que estão chegando agora e se não forem bem recebidos, se não sentirem o apoio da torcida, não vão render o esperado e isso faz com que perdemos muito tempo para reformular a equipe e nós não podemos perder tempo. A intenção é criar uma boa base, para que aí sim, no início da serie A3 possamos apenas encaixar mais um ou dois bons jogadores para compor o elenco e aí sim se preparar para subir. Já fiquei sabendo que a Francana vem fazendo um trabalho forte neste sentido, pois daqui a dois anos é o centenário do time e eles querem subir de qualquer maneira e também vão usar a Copa como laboratório.

A Cidade – Deixe uma mensagem ao torcedor itapirense.

Wagner dos Anjos – Na verdade, o que eu peço é um pouco de paciência com este grupo, pois estamos começando um trabalho do zero mesmo. Que não haja comparação com a antiga equipe, pois é um trabalho de base que se inicia. Mas posso garantir à todos que esperem muito trabalho, muita dedicação de todos por aqui.